quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

As boas acções





Esmagar sempre o próximo
não acaba por cansar?
Invejar provoca um esforço
que inchas as veias da fronte.
A mão que se estende naturalmente
dá e recebe com a mesma facilidade.
Mas a mão que agarra com avidez
rapidamente endurece.
Ah! que delicioso é dar!
Ser generoso que bela tentação!
Uma boa palavra brota suavemente
como um suspiro de felicidade!
Bertolt Brechet
(1898-1956)

Solidão






Não creio como eles crêem,

Não vivo como eles vivem,

Não amo como eles amam...

Morrerei

como eles morrem.


Marguerite Yourcenar (1903-1987)

Tradução: Maria da Graça Morais Sarmento

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012






VIETNAMITA



Mulher, como te chamas? Não sei.

Quando nasceste, tua origem? Não sei.

Por que cavaste um buraco na terra? Não sei.


Há quanto tempo estás aqui escondida? Não sei.

Por que mordeste o meu anelar? Não sei.

Sabes, não te faremos mal nenhum. Não sei.

De que lado estás? Não sei.

É tempo de guerra, tens de escolher. Não sei.

Existe ainda a tua aldeia? Não sei.

E estas crianças, são tuas? Sim.





AS TRÊS PALAVRAS MAIS ESTRANHAS


Quando pronuncio a palavra Futuro

a primeira sílaba já pertence ao passado.

Quando pronuncio a palavra Silêncio,

destruo-o.

Quando pronuncio a palavra Nada,

crio algo que não cabe em nenhum não-ser.



Tradução de Elzbieta Milewska e Sérgio das Neves



A poetisa polaca Wislawa Szymborska,

Prémio Nobel da Literatura em 1996, morreu hoje, aos 88 anos de idade.

1/02/2012