segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Ternura

A vida carece dos olhares
de ternura.
FR®

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

UM SER HUMANO QUE ENVELHECE





Poema sobre Alzheimer



“O teu cérebro enrola linhas de um novelo passado
E o relógio que bate na tua mente
Tem o ponteiro dos anos parado
Como se quisesse fugir a um feio presente
Sem saber, Alzheimer sonha, inventa e mente.

Os fios trocados da tua cabeça tecem novelas
E como um poeta tonto, criam bagatelas.
Mas não é a vida feita de memórias
E de fios presos a um mundo infantil
E de imagens fugidias de um mundo pueril?
Sim. Alzheimer é apenas um contador de histórias.”

E. Reisinho

Fonte: http://www.loveessaysbook.com/Amor-Irmao/Alzheimer-Portugues.htm

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Conferências do Estoril 2011 - Mia Couto

O mundo é de quem não sente



O mundo é de quem não sente.
A condição essencial para se ser um homem prático é a
ausência de sensibilidade.
A qualidade principal na prática da vida é aquela qualidade
que conduz à acção, isto é, a vontade.
Ora há duas coisas que estorvam a acção - a sensibilidade e
o pensamento analítico, que não é, afinal, mais que o pensamento com
sensibilidade.
Toda a acção é, por sua natureza, a projecção da
personalidade sobre o mundo externo, e como o mundo externo é em grande e
principal parte composto por entes humanos, segue que essa projecção da
personalidade é essencialmente o atravessarmo-nos no caminho alheio, o
estorvar, ferir e esmagar os outros, conforme o nosso modo de agir.
Para agir é, pois, preciso que nos não figuremos com facilidade as
personalidades alheias, as suas dores e alegrias.
Quem simpatiza pára.
O homem de acção considera o mundo externo como composto
exclusivamente de matéria inerte - ou inerte em si mesma, como uma pedra sobre
que passa ou que afasta do caminho; ou inerte como um ente humano que, porque
não lhe pôde resistir, tanto faz que fosse homem como pedra, pois, como à
pedra, ou se afastou ou se passou por cima.

Fernando Pessoa
O Livro do Desassossego

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Generosidade


Generosidade
"Não existe nobreza sem generosidade,
assim como não existe sede de vingança sem
vulgaridade."
Joseph Roth
(Brody, 1894 — Paris, 1939)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Descobri




Descobri que as más notícias são necessárias porque são reveladoras do que é
realmente importante, e vital, para mim.
Elas dão-me outra capacidade de análise, outra percepção da vida, do seu real valor.
Fazem-me parar, olhar para trás, à minha volta, e avaliar tudo quanto de bom me
cerca, e tudo quanto de bom tenho recebido.
Neste recuar preciso surge a conclusão: a minha existência depende unicamente do Meu
Criador, com Ele do meu lado não tenho por que recear a incerteza do presente nem do
porvir.


Florbela Ribeiro

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Videoclip - Não é como eu

Leitura




Debruço-me
silenciosa na leitura
dos teus olhos
no tanto que me revelam

o ritmo da solidão
evidencia-se
na expressão ondulante
do teu rosto.

Florbela Ribeiro

sábado, 8 de outubro de 2011

Esbanja o amor




"...Esbanja o amor à mão-cheia!
Oferece-o,
atira-o pela janela,
espalha-o aos quatro ventos,
esvazia os bolsos
- e terás mais do que tinhas."



_____Aurélio Agostinho

Só Tu podes, Pai


Só Tu podes, Pai...





Sentei-me na cadeira, onde reclinei a cabeça, invadida por uma tristeza que não compreendia. Há dias que estava assim... Não sabia quando ela me libertaria mas ansiava pela sua partida.

Permiti que um extenso rol de pensamentos me povoasse a mente. Porém, uma ideia repentina tomou de assalto a minha contemplação. Um bilhete sem volta, quem sabe… Levantei-me apressada e corri em direcção ao telefone.

- Quando desabafar com ela – pensei - vou-me sentir aliviada.

Com a pressa de despachar aquele sentimento para longe, nem reparei na marcação, quando do outro lado me atendeu a voz esperada.

- É natural – pensei – digito tantas vezes este número que a hipótese de errar é quase nula.

Não me recordo com precisão da hora, já havia escurecido quando desliguei, calculei que fosse tarde. É habitual passarmos horas ao telefone, eu e a minha grande amiga. Principalmente quando uma de nós necessita de extrair o nó de uma dor, teimosamente, instalada.

Sempre fui grata ao Pai pelas maravilhosas amizades que me tem concedido.

Geralmente, o alento e a confiança regressam ao desligar, mas desta vez não sucedeu assim.

Enquanto desabafava, e ouvia atentamente o que me dizia, sentia que o Pai a estava a usar para falar, directamente, ao meu coração. Sempre me senti muito abençoada pelos seus conselhos e pelo seu testemunho de vida. Esta amiga é, sem sombra de dúvida, um presente de Deus na minha vida.

Arrastei, novamente, o desânimo e a tristeza para aquela cadeira, reclinei a cabeça, fechei os olhos. O desejo de omitir os sentimentos era forte. Permaneci ali, em silêncio, longas horas, até que alguém interrompeu o meu sossego. Não foi uma interrupção abrupta, bem pelo contrário, foi uma interrupção doce, suave, meiga. A voz que sussurrou ao meu coração fez rolar, pelas minhas faces, duas lágrimas.

- Custa-me ver-te assim - disse sublimemente a voz do Pai Amoroso.

Mantive os olhos fechados e sussurrei-lhe:

- Porque razão não falei Contigo antes? Estiveste aqui, ao meu lado, o dia inteiro, disposto a ouvir-me e a ajudar-me, mas não Te dirigi uma única palavra.

Esta tomada de consciência fez com que mais lágrimas rolassem pelo meu rosto abatido.

A Voz meiga prosseguiu:

- É verdade, estive aqui ao teu lado o dia inteiro, disponível para te ouvir e ajudar, como sempre estou, mas tu não me disseste nada. Sei que te propuseste várias vezes a falar Comigo, em oração, mas por uma razão ou outra, adiaste essa intenção.

- Não penses que te estou a dizer isto para te entristecer, mas porque tenho saudades tuas. Tenho saudades de ouvir a tua voz, o som dos teus desabafos, das tuas preocupações, do teu interesse no futuro, do que tenho reservado para ti…

Inspirava profundamente, enquanto O ouvia, na tentativa de parar as lágrimas mas era em vão, elas rolavam ininterruptamente.

- Tenho-te dado amigos para te ajudarem e apoiarem - continuou o Pai - mas não para que te esquecesses de Mim, nem de que estou sempre aqui, de braços abertos para te receber.

- Tenho sentido a tua tristeza, tenho-a sofrido juntamente contigo. Bem sabes que nunca me esqueço de ti, em nenhum momento te ausentas do meu pensamento. Esperei, pacientemente, que viesses falar comigo mas tu não vieste.

- Por isso estou aqui, filha. Estou aqui para extrair esse nó do teu peito. Esse nó que não te permite respirar e sorrir. Sei que virias ter comigo, daqui a uns dias, sei que não irias conseguirias suportá-lo por muito mais tempo, mas eu tinha urgência em ouvir-te, e em ver-te sorrir novamente.

- Não quero que me vejas, nem que me sintas, como um Deus distante, silencioso, que não se preocupa com os teus sentimentos. Quero que me vejas, e me sintas, realmente, como Eu Sou.

- É tempo de voltares a sorrir, mas antes quero dizer-te algo: nunca te esqueças do Meu Amor por ti, nem te esqueças de que Eu estou sempre aqui!

As minhas lágrimas desaguaram por fim num sorriso de gratidão.

Como pude esquecer-me de falar com o Pai? Mergulhada na minha angústia nem pensei em falar com o meu melhor Amigo.

De olhos fechados pedi-lhe perdão, declarei-lhe o quanto O amava.

Ergui-me, por fim, aliviada. O nó, teimosamente instalado no meu peito, desfez-se completamente. Respirava livremente.

Peguei numa folha de papel, e numa caneta, e comecei a escrever tudo quanto me tinha sucedido naquele dia, para jamais me olvidar da longanimidade, bondade e misericórdia do meu Pai. À medida que ia escrevendo, o meu coração rejubilava na Sua presença.

Lembrei-me então de algo que tinha lido há muito tempo atrás: “ OS AMIGOS PODEM AJUDAR-TE NA TEMPESTADE MAS É DEUS QUEM A ACALMA



Miriam Resende e Florbela Ribeiro