sexta-feira, 27 de maio de 2011

Adoro-Te Pai



Adoro-Te Pai


Recordo aquele dia, Mestre, quando caminhavas lentamente

Sobre os teus ombros o peso de uma cruz, que me pertencia

As dores e o fardo, dos meus pecados, suportaste por amor a mim



O Teu corpo visivelmente fatigado e ferido

sangrava pelas minhas transgressões,

o Teu olhar transparecia calmo com a serenidade

de quem ama sem limites,

ama sem restrições

e amará continuamente sem esperar compensações



Ao olhar a cruz, local horrendo de dor e tristeza,

onde em meu lugar padeceste,

e ver ali o sangue precioso que verteste

para lavar os meus pecados,

sinto-me tão pequena e tão frágil, Deus



Sei que não mereço tão grande amor

Nem o Teu olhar meigo e terno que inunda

as minhas manhãs de sol

Sei que não mereço a doçura sublime com a qual me despertas

Nem o extremoso carinho com o qual me adormeces

Eu não mereço Pai...



As minhas imperfeições tornam-me indigna

do tanto que graciosamente me tens dado

mas os Teus olhos vêem de forma diferente

em mim vêem alguém muito especial

uma contradição que expressa bem a Tua grandeza de amar



Na ausência de palavras perfeitas de agradecimento

que me deixem demonstrar o que sinto por Ti

silêncio o meu falar

deixo que o meu coração desabroche na tua presença

se deleite na Tua companhia

declarando que só Tu dás sentido ao meu viver



Adoro-Te Pai!

Miriam Resende

POETA


Poeta



Está a trabalhar agora, numa sala

que não é diferente desta,

onde escrevo, ou aquela em que lês.

A mesa está coberta com papéis.

A luz do candeeiro seria

suavizada por um abajur, onde

a sua crueza única se pudesse diluir,

mas não é; ela tirou-o.

Os seus poemas? Nunca os perceberei bem,

embora sejam aqueles de que mais preciso.

Nem o próprio alfabeto que ela usa

eu consigo decifrar. A sua cadeira -

imaginemos se é de pele

ou lona, de vinil ou verga. Deixemos

que fique com uma cadeira, o candeeiro sem abajur,

a mesa. Que um ou dois daqueles que ama

estejam no quarto ao lado. Porta fechada

e de boa saúde os que dormem.

Dêmos-lhe tempo, e silêncio,

papel que chegue para cometer erros e continuar.




Jane Hirshfield
tradução de Francisco José Craveiro de Carvalho

quinta-feira, 26 de maio de 2011

God's Creation


Encontro de Corais UB - 28 de Maio pelas 16h - Centro de Congressos de Aveiro


quarta-feira, 25 de maio de 2011

Postulado


















Postulado


Eu quero uma tira de papel
do meu tamanho
um metro e sessenta
nele um poema
que grita
quando alguém passa
e grita em letras negras
a exigir o impossível
coragem cívica por exemplo
essa coragem que nenhum animal possui
compaixão por exemplo
solidariedade em vez de rebanho
fazer nossos através de actos
esses conceitos

Homem
animal que tem coragem cívica
Homem
animal que conhece a compaixão
Homem animal-palavra animal-conceito
Animal
que escreve poemas
poema
que pede impossíveis
a quem passa
urgentemente
irrefutavelmente
como se apregoasse
“Bebe Coca-Cola”




Hilde Domin




[in: "Estende a mão ao milagre", antologia organizada e traduzida por Maria José Peixoto Lieberwirth, Cosmorama, 2008)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Dá-me apenas






















Dá-me apenas


Da porção do teu dia

dá-me

dá-me apenas

do que da mesa sobeja

migalhas

poucas que sejam

servirão

para amaciar

a dor

de quem mendiga

uma só

palavra Tua.


Florbela Ribeiro

domingo, 22 de maio de 2011

RENASCIMENTO






















RENASCIMENTO




O edifício ruiu



a calçada



outrora vistosa



despiu-se



dos barulhos incómodos



do povo



o contra tempo



passou



dos destroços



renascem



farrapos



mãos sujas seguram



o olhar



ampliado para lá



da devastação.




Florbela Ribeiro

domingo, 1 de maio de 2011

Dia das Mães






















O Mundo celebra o Dia das Mães uma vez por ano mas o Dia da Mãe é para ser celebrado todos os dias!
Saudações amigas
Florbela