segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Silêncio



















Silêncio


Já o silêncio não é de oiro: é de cristal;

redoma de cristal este silêncio imposto.

Que lívido museu! Velado, sepulcral.

Ai de quem se atrever a mostrar bem o rosto!



Um hálito de medo embaciando o vidrado

dá-nos um estranho ar de fantasmas ou fetos.

Na silente armadura, e sobre si fechado,

ninguém sonha sequer sonhar sonhos completos.



Tão mal consegue o luar insinuar-se em nós

que a própria voz do mar segue o risco de um disco...

Não cessa de tocar; não cessa a sua voz.

Mas já ninguém pretende exp'rimentar-lhe o risco!



David Mourão-Ferreira, in "Tempestade de Verão"

Colour Fading Never

























Colour Fading Never

Picked from the garden of life,
As unique as any flower,
As beautiful as a rainbow,
Trapped - in an April shower.

Like a blossom pressed and dried,
Its colour fading never,
I have pressed you between the pages of my life,
Where I hope - you will stay forever.
Colour Fading Never

Picked from the garden of life,
As unique as any flower,
As beautiful as a rainbow,
Trapped - in an April shower.

Like a blossom pressed and dried,
Its colour fading never,
I have pressed you between the pages of my life,
Where I hope - you will stay forever.

(d.a.)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A ALMA DO POETA


























A ALMA DO POETA




A alma do poeta



não tem exuberância



nos gestos,



entra em nós subtil



no olhar



Usa-o



constante,



e disfarçadamente.



Percorre com ele



cercanias,



viaja.



Engole a voz,



expele a penumbra.



recolhe o sentir.





Florbela Ribeiro

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Grupo Poético de Aveiro: APRESENTAÇÃO DA REVISTA FOLHAS – LETRAS &OUTROS OFÍCIOS

Grupo Poético de Aveiro: APRESENTAÇÃO DA REVISTA FOLHAS – LETRAS &OUTROS OFÍCIOS



O MEU REFÚGIO

O meu recanto favorito é oculto e luminoso. Dificilmente me encontram, quando aqui me refugio. Tranquiliza-me esta paisagem campestre que se reveste do fumo, ondulante vindo das chaminés, e de sons… A brisa, ténue e amena, que se passeia ao longo dos troncos, de casca grossa e escamosa, e por entre as folhas, perenes e ...aciculares, dos pinheiros que se agitam e enfeitam o solo de pinhas cansadas. É o grito dos corvos que descem à aldeia em busca de alimento. É a valsa nupcial das pombas vizinhas sobre o celeiro e o tractor que passa a recolher o suor dos trabalhadores.
É nesta mescla de sons e de cheiros e sob um céu despido de danos e nuvens que me renovo no final de cada tarde.



Florbela Ribeiro,
in REVISTA FOLHAS – LETRAS & OUTROS OFÍCIOS
pág.96

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Quero voltar a ser feliz!


























Quero voltar a ser feliz!


Fui criado com princípios morais comuns.
Quando eu era criança os ladrões tinham a aparência de ladrões.
A nossa única preocupação em relação à segurança era a de que os “lanterninhas” dos cinemas nos expulsassem pelas batidas com os pés no chão quando uma determinada música era tocada no início dos filmes, nas matines de domingo.
Mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos eram autoridades presumidas, dignas de respeito e consideração.
Quanto mais próximos e, ou, mais velhos mais afecto.
Era inimaginável respondermos de forma malcriada aos polícias, mestres, aos mais idosos e demais autoridades.
Confiávamos nos adultos porque eram os pais e mães das crianças da rua, do bairro, da cidade.
Tínhamos medo apenas do escuro, de sapos e de filmes de terror.
Hoje senti uma tristeza infinita por tudo que perdemos.
Por tudo o que meus netos um dia temerão.
Pelo medo no olhar das crianças, dos jovens, dos velhos e dos adultos.
Matar os pais, os avós, violentar crianças, raptar, roubar, enganar ou passar a perna, virou banalidade nos noticiários, sendo mesmo esquecidos após o primeiro intervalo comercial.
Os polícias de trânsito quando multam os infractores são intitulados de exploradores.
Policiais em blitz são considerados abusos de autoridade.
Regalias nas cadeias são votadas em reuniões.
Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos honestos.
Não levar vantagem é ser “totó”.
Pagar as dívidas em dia é ser idiota, amnistia para os caloteiros de serviço.
Ladrões de fato e gravata, assassinos com cara de anjo, pedófilos de cabelos brancos.
O que aconteceu com a nossa sociedade?
Os professores são espancados nas salas de aula, os comerciantes são ameaçados por traficantes, há grades nas janelas e portas das nossas casas.
Há crianças a morrer à fome!
Que valores são estes?
Os carros valem mais do que abraços, os filhos querem-nos como brindes por passar de ano.
Telemóveis nas mochilas dos recém-saídos das fraldas.
TV, DVD, video - jogos...
O que vais querer em troca do meu abraço, filho?
Vale mais uma “marca registada” do que um diploma.
Vale mais um LCD do que uma boa conversa.
Valem mais dois vinténs do que um GOSTO.
Que lares são estes?
Jovens ausentes, pais ausentes, droga presente.
E o presente?
Uma droga!
O que é aquilo?
Uma árvore, uma galinha, uma estrela, ou uma flor?
Quando é que isto passou a ser ridículo?
Quando é que passei a esquecer o nome do meu vizinho?
Quando é que ao olhar nos olhos de quem me pede roupa, comida, calçado comecei sentir medo?
Quando é que me fechei?
Quero de volta a minha dignidade, a minha paz.
Quero de volta a lei e a ordem.
Quero de volta a liberdade com segurança!
Quero tirar as grades das minhas janelas para tocar as flores!
Quero sentar-me na calçada e ter a porta aberta nas noites de verão.
Quero a honestidade, como motivo de orgulho.
Quero a rectidão de carácter, quero a cara limpa, o olho no olho.
Quero a vergonha, a solidariedade.
Quero a esperança, a alegria.
Tecto para todos, comida na mesa, saúde…
Abaixo o “TER”, viva o “SER”!
E viva o retorno da verdadeira vida, simples como uma gota de chuva, limpa como um céu de Abril, leve como a brisa da manhã!
E definitivamente comum, como eu.
Adoro o meu mundo simples e comum.
Vamos voltar a ser “gente”?
Ter o amor, a solidariedade, a fraternidade como base.
A indignação diante da falta de ética, de moral, de respeito...
Vamos discordar do que é absurdo.
Vamos construir sempre um mundo melhor, mais justo, mais humano, onde as pessoas se respeitem.
Utopia?
Não...
Se cada um fizer a sua parte, contaminaremos mais pessoas, e essas pessoas contaminarão mais pessoas…
Que me diz?
Vamos tentar?
Passe esta mensagem para os seus amigos e vamos à luta!

Abraços sinceros.

(desconheço o autor)
Adaptação: FR

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Vento Sul



















Vento Sul

Despertei com o som

do zurzir vigoroso

nas vidraças do meu quarto.

O vento

vindo do sul

que se levantara na véspera

dedilha cadenciadamente

por entre gotículas

a poesia.

Pela escuridão

esvoaçam versos.

Um súbito ribombar

rasga os céus.

O pautado é iluminado

sem demover forças

ou intentos.



Florbela Ribeiro
®

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

DIA DA AMIZADE

14 DE FEVEREIRO DIA DA AMIZADE















sábado, 12 de fevereiro de 2011

Divina Música





















Divina Música


Filha da Alma e do Amor.
Cálice da amargura
E do Amor.
Sonho do coração humano,
Fruto da tristeza.
Flor da alegria, fragrância
E desabrochar dos sentimentos.
Linguagem dos amantes,
Confidenciadora de segredos.
Mãe das lágrimas do amor oculto.
Inspiradora de poetas, de compositores
E dos grandes realizadores.
Unidade de pensamento dentro dos fragmentos
Das palavras.
Criadora do amor que se origina da beleza.
Vinho do coração
Que exulta num mundo de sonhos.
Encorajadora dos guerreiros,
Fortalecedora das almas.
Oceano de perdão e mar de ternura.
Ó música.
Em tuas profundezas
Depositamos nossos corações e almas.
Tu nos ensinaste a ver com os ouvidos
E a ouvir com os corações.


Gibran Khalil

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

He Reigns

Kirk Franklin - You Are

POEMA ENDYMION






Poema Endymion

(trecho)
Tradução: Augusto de Campos:
(outra versão de Endymion)


O que é belo há de ser eternamente
Uma alegria, e há de seguir presente.
Não morre; onde quer que a vida breve
Nos leve, há de nos dar um sono leve,
Cheio de sonhos e de calmo alento.
Assim, cabe tecer cada momento
Nessa grinalda que nos entretece
À terra, apesar da pouca messe
De nobres naturezas, das agruras,
Das nossas tristes aflições escuras,
Das duras dores. Sim, ainda que rara,
Alguma forma de beleza aclara
As névoas da alma. O sol e a lua estão
Luzindo e há sempre uma árvore onde vão
Sombrear-se as ovelhas; cravos, cachos
De uvas num mundo verde; riachos
Que refrescam, e o bálsamo da aragem
Que ameniza o calor; musgo, folhagem,
Campos, aromas, flores, grãos, sementes,
E a grandeza do fim que aos imponentes
Mortos pensamos recobrir de glória,
E os contos encantados na memória:
Fonte sem fim dessa imortal bebida
Que vem do céus e alenta a nossa vida.


(John Keats - 1795-I82l )

A BELEZA EM CADA SER É UMA ALEGRIA ETERNA


























A BELEZA EM CADA SER É UMA ALEGRIA ETERNA




A beleza em cada ser é uma alegria eterna:

o seu encanto torna-se maior e nunca se há-de perder

no nada; reservar-nos-á ainda um refúgio

de paz, onde adormeceremos, habitados por sonhos

suaves, uma íntima plenitude, uma respiração branda.

Comecemos, assim, a tecer em cada manhã

uma grinalda de flores para nos unirmos à terra,

apesar do desalento, da ausência daqueles

cuja nobreza amávamos, dos dias cheios de escuridão,

de todos os caminhos insalubres e misteriosos,

abertos para os nossos anseios; sim, apesar de tudo,

uma forma de beleza afasta o sudário

das nossas almas sombrias. Assim é o sol, a lua,

as antigas ou novas árvores cuja bênção faz germinar

a sombra sobre os humildes rebanhos; os narcisos

e o mundo verdejante que os cerca; e os límpidos rios

que para si criam um dossel de frescura

durante as estações ardentes; os silvados do bosque

enriquecidos pelo belo, nascente esplendor das rosas;

e, também, a magnificência do destino

que imaginamos para os mortos poderosos;

e as histórias encantadoras que lemos ou escutamos:

fonte inesgotável duma imortal bebida,

que vem do limiar do céu e para nós se derrama.



E não é apenas durante algumas horas breves

que ficamos presos a estas essências; assim como as árvores

murmurando à volta dum templo logo se tornam

tão amadas como o próprio templo, também a lua

e a paixão da poesia, glórias inifinitas, tantas vezes

nos assombram, até serem uma luz vivificadora

para a alma, e tão estreitamente nos cingem

que, fique a brilhar o sol ou se apaguem os céus,

para sempre hão-de existir em nós, ou morreremos.



John Keats, “A thing of beauty is a joy for ever”

Tradução de Fernando Guimarães

Poesia Romântica Inglesa, Relógio D'Água, 1992

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Dia da Internet Segura 2011

Desafio Miquéias




Foi lançada recentemente a antologia poética "Nada Onde Pousar o Sonho", com edição de João Tomaz Parreira. Esta obra conta, além de um texto de Fernando Pessoa, com poemas inéditos do próprio coordenador e de Clélia Mendes, Brissos Lino, Lurdes Saramago Chappell, João de Mancelos, Júlia Lemos, Rui Almeida, Rui Miguel Duarte, Florbela Ribeiro, Helena Branco e João Pedro Martins.

Os autores, que o prefaciador Rui Miguel Duarte apresenta como «poetas e cidadãos que não entendem as injustiças nem se resignam com uma sociedade e com um mundo liberal, de poderes políticos e económicos antropófagos», ofereceram os seus direitos
sobre os textos deste livro, cuja venda reverte a favor do Projecto Miqueias.









O livro pode ser adquirido através de pedido para: desafio.miqueias@gmail.com com indicação do nome e morada para envio.














A entrevista com João Tomaz Parreira (poeta e jornalista) e João Pedro Martins ( Director do Desafio Miqueias) no Programa Luz das Nações da RTP2 do passado dia 4 de Fevereiro de 2011, pode ser visualizada no Portal Evangélico em:

http://www.portalevangelico.pt/

ou mais precisamente em:

http://www.portalevangelico.pt/conteudos/SystemPages/page_emissao.asp?art_id=619