segunda-feira, 25 de outubro de 2010

As Mãos do Meu Avô






















Meu avô, com noventa e tantos anos, sentado débilmente no banco do

jardim, não se movi.

Cabisbaixo olhava para as suas mãos.

Quando me sentei ao seu lado, não notou a minha presença,

resolvi perguntar-lhe se estava bem. O tempo passou, não obtive resposta.

Não queria incomodá-lo mas desejava saber como estava, por isso insisiti

e perguntei-lhe novamente como se sentia.

Levantou a cabeça, olhou-me e, com um sorrisso, respondeu-me:

- Estou bem, obrigado por perguntar - disse com uma voz clara e forte.

- Não quis incomodá-lo, avô, mas estavas aqui sentado simplesmente a olhar para as mãos, quis ter a certeza de que estavas bem - expliquei-lhe.

Meu avô perguntou-me:

- Já alguma vez olhas-te para as tuas mãos? Ou seja, olhaste realmente bem para elas?

Lentamente soltei as minhas mãos das do meu avô, abri-as e contemplei-as.

Virei as palmas para cima e olhei para baixo.

- Não, creio que realmente nunca as tinha observado - queria saber o que o meu avô pretendia dizer-me.

O meu avô sorriu e contou-me uma história.

- Pare e pense um momento sobre como as tuas mãos te têm servido através dos anos.

Estas mãos, ainda que enrugadas, secas e débeis tem sido as ferramentas que usei toda a minha vida para alcançar, pegar e abraçar.

Elas puseram a comida na minha boca e a roupa no meu corpo.

Quando era criança, a minha mãe ensinou-me a juntá-las em oração.

Elas amarraram os atacadores dos meus sapatos, ajudaram-me a calçar as botas de trabalho. Estiveram sujas, esfoladas, ásperas e dobradas.

As minhas mãos mostraram-se inábeis quando tentei embalar a minha filha recém- nascida.

Decoradas com uma aliança, mostraram ao mundo que estava casado e que amava alguém muito especial.

Elas tremeram quando enterrei os meus pais e esposa, e quando entrei na igreja com a minha filha no dia do seu casamento.

Têm coberto o meu rosto, penteado os meus cabelos, lavado e limpo todo o meu corpo.

E até hoje, quando quase nada em mim funciona bem, estas mãos ajudam-me a levantar e a sentar, e continuam a juntar-se para orar.

Estas mãos são as marcas de onde estive, e da dureza da minha vida. Mas, o mais importante, é que são estas as mãos que Deus tomará nas Suas quando me levar à Sua presença.



Desde então nunca mais vi as minhas mãos da mesma maneira.

Lembro quando Deus esticou as Suas mãos e tomou as do meu avô e o levou à Sua presença.



Cada vez que vou usar as minhas mãos penso no meu avô; na verdade elas são uma benção.



Hoje pergunto-me:

O que estarei a fazer com as minhas mãos?

Estarei a usá-las para abraçar e expressar carinho, ou para expressar ira e repulsa ao outros?




Devemos dar graças à Deus pelas nossas mãos.



Somente aqueles que as têm sabem o valor que elas representam na suas vidas.



Adaptado



(da)

What Faith Can Do- Kutless w/lyrics

sexta-feira, 22 de outubro de 2010



















Quem disse que o mar faz morada nos meus olhos, mentiu.
Só a chuva e o orvalho da noite aqui repousam.


FR®

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A Inconsistência Humana























A Inconsistência Humana

Que todos os homens são iguais é uma proposição à qual, em tempos normais, nenhum ser humano sensato deu, alguma vez, o seu assentimento.
Um homem que tem de se submeter a uma operação perigosa não age sob a presunção de que tão bom é um médico como outro qualquer.
Os editores não imprimem todas as obras que lhes chegam às mãos.
E quando são precisos funcionários públicos, até os governos mais democráticos fazem uma selecção cuidadosa entre os seus súbditos teoricamente iguais.
Em tempos normais, portanto, estamos perfeitamente certos de que os Homens não são iguais. Mas quando, num país democrático, pensamos ou agimos politicamente, não estamos menos certos de que os Homens são iguais. Ou, pelo menos - o que na prática vem ser a mesma coisa - procedemos como se estivéssemos certos da igualdade dos Homens. Identicamente, o piedoso fidalgo medieval que, na igreja acreditava em perdoar aos inimigos e oferecer a outra face, estava pronto, logo que imergia novamente à luz do dia, a desembainhar a sua espada à mínima provocação.
A mente humana tem uma capacidade quase infinita para ser inconsistente.



Aldous Huxley

segunda-feira, 4 de outubro de 2010




















A grande responsabilidade do ser humano consiste em saber discernir.
O mundo espera que cada um de nós assuma esta importante tarefa do justo equilíbrio.
Textos Judaicos

sábado, 2 de outubro de 2010

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Um Duelo do Destino




















Um Duelo do Destino

Desconheço as razões
do destino
ao emboscar nossa
breve passagem
mas sei que o faz
Impetuoso
desfaz sonhos
retalha planos
ensombra esperanças
e pode até
trocar os sentimentos.

No peito
um duelo descompassado
revolve as memórias
intragáveis
deste mundo e
desaba.
Até que do alto
irrompa a luz
que fará emergir
nossas almas
dilaceradas.

Florbela Ribeiro®