quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Outono Espiritual


"Outono espiritual"


O dia amanheceu sombrio,

após uma longa noite.

Veio silencioso, e ensombrado

por uma densa neblina matinal,

que mantêm a tua face

coberta de humidade.

O despertar revigorou

a tribulação e a angústia,

que te atormentam.

A melancolia instalou-se

no teu rosto, e a apatia

faz morada no teu olhar.

Carregas sobre ti o peso

da nova estação, o Outono…

As árvores sofrem as investidas

do vento Norte, que lhes vai

despindo o manto de esperança.

E tu sentes-te fustigada

por um vendaval de problemas,

que te faz rodopiar, e rodopiar

no ar, sem parar.

Hoje, aqui sentada, no lugar de sempre,

há olhares que te miram,

mas ninguém te vê realmente.

Ninguém vê que a tua mente

Vagueia por entre as folhas

Lançadas ao chão…

Folhas de sofrimento.

Folhas de desilusão.

E o teu pranto mistura-se com a

melodia silenciosa da natureza.

Estás magoada, sofrida,

e enclausurada em ti mesma.

Mas lembra-te que as lutas

fazem parte da vida do crente,

E o vento Norte que sobre ti

Investe tão duramente,

Limpa a ramagem seca que te

impede de florir completamente.

As lágrimas que deslizam

Suavemente do teu rosto

Regam o jardim que te envolve

Onde com ternura e devoção,

Lanças com as mãos do coração

sementes

que no tempo certo

irão nascer

crescer

e florescer.

Tem, pois, bom animo, e não desfaleças,

ao contemplar esse manto

de folhas caído sobre a terra

húmida e fria.

Ergue-te, e com fé derrama

as tuas dores aos pés do Salvador.

E verás o nascer do sol

No teu ao amanhecer

Espalharás com o teu sorriso

o aroma das flores, e do mar.

E uma nova luz irradiará

Desse teu doce olhar.



Florbela Ribeiro A. S.®

10/2008