domingo, 28 de outubro de 2007

Como Jesus Vê as igrejas


Como Jesus vê as igrejas:
Pérgamo

Pérgamo significa «Elevado». Segundo Noel, esta igreja estava localizada numa das cidades mais fanáticas e pagãs.
Os cristãos, para se manterem fiéis, tiveram de armar-se de valor, porque viviam em constante perigo de virem a ser mortos por amor a Cristo. E o Senhor mesmo dá testemunho de Antipas (provavelmente um dos pastores da igreja) sofreu o martírio pela sua fidelidade ao Evangelho.

Apocalipse 2:12
«E ao anjo que está em Pérgamo, escreve: Isto diz Aquele que tem a espada aguda de dois fios:
Eu sei as tuas obras, e onde habitas, que é trono de satanás, e reténs a O eu nome, e não negaste a Minha fé, ainda nos dias de Antipas Minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde satanás habita.
Mas umas poucas de coisas tenho contra ti: porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balac a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem dos sacrifícios da idolatria, e se prostituíssem.
Assim tens também os que seguem a doutrina dos nicolaitas, o que Eu aborreço.
Arrepende-te, pois, quando não, em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da Minha boca.
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei Eu a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe.»

Temos aqui uma igreja que vivia à sombra do trono de satanás! Esta expressão «trono de satanás» tem deixado os comentadores perplexos.
Será que as instituições satânicas em Pérgamo são mais perigosas do que em outra qualquer das cidades pagãs do mundo antigo?
O que nos deixa perplexos não é mais que satanás tenha um trono em Pérgamo, mas antes o facto de que tenha um trono; e quando esse trono se encontra numa cidade terrena, a sua presença ali dificulta a existência da igreja de Cristo.
O trono de satanás está, onde reina a idolatria e a superstição.
Toda a pompa e cerimonialismo, seja pagão ou pseudo cristão, todas as formalidades ritualistas, todos os paramentos, incenso, crucifixos, imagens, procissões, água benta, os papas e a sua hierarquia, santuários, as chamadas relíquias dos santos, encantamentos, superstições tudo o que veio da idolatria babilónica, transferido depois para o Império Romano e hoje se encontra misturado com o genuíno cristianismo, outra coisa não é senão «o trono de satanás».
Todo o falso cristianismo entroniza satanás.
Por que, pois, Pérgamo é designada como sendo a cidade onde assentava o trono de satanás?
É que a igreja fundada por satanás começou paulatinamente. Primeiro por feitos, os quais foram depois transformados em doutrinas.
A Carta de Éfeso, menciona as obras dos nicolaitas, na Carta de Pérgamo essas obras lá haviam assumido corpo de doutrina, e, por fim, atingiu o seu pleno desenvolvimento em Tiatira.
Foi baseada nessas doutrinas (que tiveram início em Pérgamo), que Jezabel conseguiu corromper a Igreja em Tiatira.
O cristianismo adulterado veio a converter-se, ao longo dos séculos, no algoz dos cristãos, e voltará a sê-lo novamente. Nos países comunistas a «Igreja Subterrânea» é perseguida pelos cristãos livres, que gozam de liberdade de reunião de culto. Sem dúvida que virá a ser instrumento de satanás na perseguição aos santos quando da hora da Tribulação.
O Senhor louvou a igreja pela sua coragem, demonstrada no fogo da perseguição que sofrera nos dias de Antipas. Para além deste aspecto favorável, outras coisas existiam no meio da igreja, que muito ofendiam ao Senhor, a ajuizar pelas Suas palavras «Mas umas poucas de coisas tenho contra ti…» (v.14).
Entre essas coisas se faz menção da doutrina de Balaão. Quem era Balaão? Um vidente ou profeta, filho de Beor que residia em Petor, na Mesopotânia. (Números 22:5)
Por instâncias de Balac, rei dos Moabitas, foi ele alugado para amaldiçoar os Israelitas, aos quais o rei temia.
Todavia, e por instrução e impulso divino, Balaão os abençoou, predizendo de maneira assaz brilhante, a grandeza futura e Israel. Estas são algumas das suas principais profecias:

«Vê-Lo-ei, mas não agora: contemplá-Lo-ei, mas não de perto; uma estrela procederá de Jacob, e um ceptro subirá de Israel…» (Números 24:17)
«Deus não é homem para que minta; nem filho do homem para que Se arrependa. Porventura diria Ele, e não o faria? Ou falaria e não o confirmaria? Eis que recebi mandado de abençoar: pois Ele tem abençoado, e eu não o posso revogar.» (Números 23: 19,20)
Não existe, nas profecias da Balão, nada que o possa desacreditar. Ele seguiu as instruções de Deus em tudo quanto disse. A recompensa do seu trabalho só lhe seria atribuída no caso de lançar a maldição sobre Israel.
Segundo as ideias de muita gente, tais profetas tinham o curioso costume de entregar aos deuses destruidores os inimigos antes de entrarem em combate com eles. Ao tempo os Israelitas haviam começado a conquista de Canaã; e por isso o rei Moabe, juntamente com os seus confederados, procurou suster o avanço dos israelitas. Balaão, sendo avisado por Deus, recusou as intenções de Balac, ainda que no seu coração, desejasse e amasse o prémio que lhe era oferecido, (II Pedro 2:15).
Não aceitamos, embora ele tivesse observado grandes manifestações do poder de Deus, que Balão se tivesse convertido ao Senhor, pois mais tarde vamos encontra-lo empregando vilmente todos os esforços no sentido de conseguir a destruição dos israelitas, 8Números 25:1-9), e morreu quando combatia pelos Midianitas contra aqueles que ele havia pensado amaldiçoar, (Números 31:8,16).
Até este ponto vai a doutrina do Antigo Testamento acerca deste profeta. É no Novo Testamento, porém que levamos sobre o «erro de Balaão» sobre o «a doutrina de Balaão», e sobre o «caminho de Balaão». (Judas 11: II Pedro 2:15: Apocalipse 2:14)
A doutrina de Balaão consistia de duas particularidades distintas;
1ª Comer coisas sacrificadas aos ídolos
2ª Cometer prostituição
Se traduzir isto em termos compreensíveis e em relação à igreja, teremos o fabrico, uso e adoração de ídolos; e a contaminação com o mundo.
Para a Igreja, a fornicação, no sentimento espiritual, consiste no casamento com o mundo e em aceitar favores do governo humano. Por outras palavras, a doutrina de Balaão praticada por alguns dos membros da igreja de Pérgamo, consistia numa espécie de comunhão aberta com os pagãos. Era o que se pode dizer «querer estar bem com Deus e com o diabo ao mesmo tempo».
Quando se celebrava o culto cristão, aquelas pessoas acompanhavam os cristãos nas suas reuniões.
E no dia em que os pagãos celebravam as suas festividades idólatras, que degeneravam na mais grosseira imoralidade, os cristãos misturavam-se com os pagãos.
Um dia reuniam-se na Assembleia de Deus para celebrar a Ceia do Senhor, e outro dia reuniam-se com os pagãos para participarem dos seus manjares em honra a ídolos. Eram, ao mesmo tempo participantes da Mesa do Senhor e da mesa dos demónios. (I Coríntios 10:19-21)
Esta era a prática de alguns dos membros da Pérgamo, para não dizermos a de muitos cristãos dos nossos dias.
Não se pode, porém, servir a dois senhores!
Além destes dois seguidores da doutrina de Balaão, outros havia em Pérgamo que seguiam os nicolaitas.
Que extraordinário!
Uma igreja no meio da qual havia, pelo menos três correntes de doutrina e não sabemos quantos doutrinadores.
A doutrina de Cristo, a de Balaão e a dos nicolaitas!
Muito deviam estar traumatizados aqueles pobres crentes! Mas aberta ou deforma mais sofisticada, claramente do púlpito ou por um trabalho de sapa, estas doutrinas estavam lá, a corromper a alma de alguns, a estragar a unidade da igreja, a perverter a fé de muitos, embora a maioria fosse fiel ao nome de Jesus e guardasse a «Sua Fé» – o Evangelho!
Quanto aos nicolaitas, quem eram e o que ensinavam?
Admitem alguns de discípulos de um certo Nicolau não mencionado na Bíblia, cuja doutrina se podia resumir no seguinte conceito: «Se sois predestinados, pouco importa o modo como vivais, de qualquer maneira sereis salvos; se não sois predestinados, não importa como vivais, porque de todas as maneiras estareis perdidos.»
Admitem outros tratar-se de um grupo de pastores ambiciosos, que aspiravam estabelecer uma hierarquia dominante nas igrejas. João na sua terceira carta, faz referência a um certo Diótrefes, que amava ter a primazia (v. 9, 10).
E Paulo dizia aos anciãos da Igreja de Éfeso: «Porque eu sei isto: que depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão ao rebanho…» (Actos 20:29)
Pois bem, Diótrefes e os que com ele alinhavam contra o sistema democrático do governo da igreja local, eram oficiais da igreja local, eram pastores. Mas ao que parece, a doutrina dos nicolaitas praticada na igreja de Pérgamo não tinham o apoio do pastor, sendo seguida apenas por alguns leigos da igreja. Isto diz-nos que a mencionada doutrina não afectava profundamente o governo ou sistema moral da igreja. A opinião mais generalizada e aceitável é que os nicolaitas ensinavam uma doutrina, que propendia para a libertinagem, tanto no ensino como na moral.
Portanto, a igreja estava ofendendo a Deus, ao permitir que alguns dos seus membros ensinassem e praticassem a doutrina de Balaão e dos nicolaitas; e o Senhor exorta-a, dizendo: «Arrepende-te, pois, quando não em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da Minha boca.»
A igreja de Pérgamo não exercia a disciplina entre os membros, e este era o seu grande pecado, diante de Deus.
Deixar de condenar e, quando necessário, excluir o pecado do meio da igreja, é participar do mal.
Se nos tornamos culpados de semelhante transigência o caminho é voltarmos a Deus arrependidos; se não, a espada da verdade ferir-nos-á.

Como Jesus Vê as igrejas


Como Jesus vê as igrejas:
Tiatira

Vou considerar a carta endereçada pelo Senhor à igreja de Tiatira.

Apocalipse 2:18…
«E ao anjo da igreja de Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem Seus olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes ao latão reluzente:
Eu conheço as tuas obras, e o teu amor, e o teu serviço, e a tua fé, e a tua paciência, e que as tuas últimas obras são mais do que as primeiras.
Mas tenho contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetiza, ensine e engane os Meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria.
E dei-lhe tempo para se arrependesse da sua prostituição; e não se arrependeu.
Eis que a porei numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrependerem das suas obras.
E ferirei de morte os seus filhos, e todas as igrejas saberão que Eu sou aquele que sonda os rins e os corações. E darei a cada um de vós segundo as vossas obras.
Mas Eu vos digo a vós, e aos restantes que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conheceram, como se diz, as profundezas de satanás, que outra carga vos não porei.
Mas o que tendes retende-o até que Eu venha.
E o que vencer, e guardar até ao fim as Minhas obras, Eu lhe darei poder sobre as nações,
E com vara de ferro, as regerá; e serão quebradas como vaso de oleiro; como também recebi do Meu Pai.
E dar-lhe-ei a estrela da manhã.
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.»

A corrupção que entrou como um dilúvio no quarto século do Cristianismo aumentou até merecer o título de «profundezas de satanás» (vers.24)

Tiatira leva-nos ao período do pleno desenvolvimento do Romanismo. A esta igreja o Senhor apresenta-Se como
«O Filho de Deus».
O Romanismo fala de Jesus como filho da Virgem, como filho de Maria.
A apostasia romana tem colocado uma mulher iníqua que existia na igreja no lugar unicamente pertencente ao Filho de Deus.
Jezabel, a mulher iníqua que existia na igreja de Tiatira representa o papismo, e torna-se a mulher prostituta do décimo sétimo capítulo de Apocalipse. A Jezabel do tempo de Elias era uma princesa filha do rei dos Sidónios, casada com Acab, monarca de Israel. Foi ela que introduziu no reino de Samaria a forma síria do culto a Baal, a Astarte e a outras divindades fenícias.
Com esse culto trouxe também para os israelitas muitas daquelas abominações que haviam atraído a ira de Deus contra os Cananitas.
Tão fanatizada estava Jezabel na sua religião, que à sua mesa reunia 450 profetas ou sacerdotes de Baal e 400 sacerdotes de Astarte. (I Reis 18:19).
Ela veio a tornar-se uma terrível perseguidora dos verdadeiros profetas de Deus. (I Reis caps. 18-21).
Agora surgia em Tiatira uma mulher com o mesmo nome ou encarnando do mesmo espírito diabólico da Jezabel do Antigo Testamento.
Podemos aplicar tudo isto ao Romanismo na sua fornicação e idolatria espiritual.
Na quarta parábola do Reino, ensinada por Jesus, o Senhor faz referência a uma mulher que tomou fermento (símbolo de corrupção) e o introduziu em três medidas de farinha (símbolo de pureza da doutrina cristã).
Não é demais afirmar-se que a mulher na parábola do fermento é Roma, a Jezabel da Carta de Tiatira.
Esta é a mais extensa das Sete Cartas.
A igreja de Éfeso tinha deixado o seu primeiro amor; mas o Senhor louva Tiatira por seu amor, serviço, fé e paciência, e ainda por suas últimas obras, que excediam as primeiras. Era uma igreja activa e na qual ardia o fogo do primeiro amor; mas o Senhor está contra ela, por permitir a Jezabel, mulher que se havia feito passar por profetiza, usar processos de forma a mentalizar a igreja de que ela era possuidora de um maravilhoso dom de ensinar e de profetizar.
Com suas pretendidas profecias, havia logrado enganar alguns membros da igreja, arrastando-os às práticas idólatras e imorais do paganismo.
Estamos mesmo a veros «maravilhosos cultos na sua casa», quando era procurada por alguns dos membros da igreja, qua se deixavam guiar por seus conselhos, que se iludiam com as máximas da sua maravilhosa sabedoria.
Segundo o versículo 24 parece que os adeptos desta mulher afirmavam ser os seus ensinamentos mais profundos que os do pastor da igreja, quiçá, dos apóstolos do Senhor. E Jesus diz que sim, que seus ensinos eram profundezas mas «profundezas de satanás».
Cuidado com essas mulheres que se dizem profetizas, – e há-as em todas as igrejas cristãs!
São mulheres que se esforçam por criar o seu próprio nome: trabalham, ao que parece, com muito zelo, visitando doentes, orando por eles, impondo as mãos sobre endemoninhados com tal ousadia que muitos membros da igreja acham que nem mesmo o pastor ou os anciãos têm semelhante ousadia e sabedoria.
Elas esforçam-se para que as suas actividades sejam reconhecidas e, por que não (?) oficializadas na igreja.
São detentoras de uma maneira muito subtil de iludir; e se não têm coragem ou receiam afirmar publicamente que conhecem e ensinam coisas mais profundas que as reveladas por Deus na Sua Palavra, ao menos, por meio de profecias e influência, conseguem seus objectivos. Alguns há, até, que possuem na sua casa uma espécie de consultório, onde se reúnem crentes doentes, pelos quais oram, ungindo os mesmos com azeite, trabalho que apenas aos presbíteros é permitido (Tiago 5:14-15).
Todas as chamadas profundezas que contradizem a Palavra de Deus têm a sua origem nas mesmas profundezas ensinadas por Jezabel. Essa mulher, com suas desmedidas pretensões, era um instrumento satânico metido como tição no seio da igreja, com o propósito de aparta-la da simplicidade do Evangelho. Jezabel conseguira enganar alguns; todavia, a maior parte conservava-se limpa da contaminação interior e exterior que a sua doutrina trazia. Os versículos 24 e 25 fazem prova disso: «Mas Eu vos digo a vós, e aos restantes que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conheceram, como se diz, as profundezas de satanás, que outra carga vos não porei. Mas o que tendes retende-o até que Eu venha»
As palavras «outra carga», querem significar: Não vos concederei outros mandamentos e ordenanças, outra revelação, mas guardarei o que vos tenho dado. Compare Actos 15:28 e veja o que diz:
«Na verdade, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias:»
As decisões da igreja só devem ser tomadas pelo homem após a direcção dada pelo Espírito Santo, através da oração, jejum e da fidelidade à Palavra de Deus. A verdadeira igreja deve ouvir o que o Espírito lhe diz, para andar na vontade divina e debaixo do discernimento que só o Espírito Santo concede.
E em verdade como revelação Divina e inspirada para servir de padrão e de comportamento da vida e fé cristã, o Apocalipse foi o último livro. (Apocalipse 22:18,19)
Jesus Cristo culpa a igreja de Tiatira por permitir que Jezabel ensinasse a sua falsa doutrina.
As igrejas devem ter muito cuidado com o que crêem e ensinam aos seus membros: e quando ensinam coisas contrárias ao que claramente está revelado na Palavra de Deus e com ela se não possam provar, deve chamar-se a atenção da pessoa, seja ela quem for; e se não obedecer à verdade, em certas circunstâncias há que proceder como o apóstolo S. Paulo em relação a Himeneu, Alexandre e Fileto: entregou-os a satanás, para que aprendessem a não blasfemar. (I Timóteo 1:20; II Timóteo 2:17,18).
Quando uma igreja se permite que «Balaão», «Jezabel» e «Nicolaítas» se arvorem em guias, pastores, ou pastoras, que procuram influenciar a congregação, não está no agrado de Deus. Muitas vezes não se actua, com o devido rigor, por tratar-se de alguém de certa categoria e posição financeira e influência; minimizamos o problema, mas a gangrena está lá a fazer a sua obra.
E «um pouco de fermento leveda toda a massa».
S. Paulo diz: «As falas doutrinas são como o sangue envenenado a girar nas veias dum corpo, que aqui e ali à superfície, origina chagas purulentas. Himeneu e Fileto são esse sangue envenenado, traidores a fé.» (II Timóteo 2:17).
Da Carta à igreja de Tiatira aprendemos igualmente qual é a atitude do senhor para com os desencaminhados, pois Ele diz: «E deis-lhes tempo para que se arrependessem da sua prostituição; e não se arrependeu.» (Apocalipse 2:21)
Alma desgarrada que estás a ler através destas linhas:
O Senhor na Sua longanimidade não deseja que te percas e esta a «esticar» o tempo para que te arrependas, para que voltes ao Seu redil, e deixes de ser um maleável instrumento de satanás!
Até quando continuarás a ofender o Senhor e a desprezar a Sua Misericórdia?
Volta a Deus antes que seja demasiado tarde; antes que o Senhor tenha de fazer contigo o que fez a Jezabel, conforme se lê nos versículos 22 e 23.
Estas palavras de Jesus fazem-nos pensar, com dor e espanto, na situação daqueles que, depois de terem conhecido a verdade, dela se apartaram e persistem na prática do erro e do pecado, com os quais estão a ofender e a desafiar Deus.
O alma que te tens apartado do Senhor: Contempla-te no espelho de Jezabel, e escuta estas Suas palavras: «E dei-lhes tempo para se arrependerem»; e como não se tem arrependido, «ferirei de morte a seus filhos; e a porei numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, para que as igrejas saibam que Eu estou no meio delas», – com olhos como chama de fogo, tudo observando, até ao mais profundo dos corações.

Como Jesus Vê as igrejas


Como Jesus vê as igrejas:
Éfeso

O primeiro artigo desta série, introduz o importante assunto das cartas apocalípticas, através das quais se verifica como o Senhor Jesus Cristo vê as igrejas.

Nos dias antigos, Éfeso tornou-se uma cidade magnífica e de grande projecção. Era centro comercial e uma vasta região, que além de rica primava pela excelente beleza.
Tornou-se sede do Governo, das artes, erudição, riquezas e religião.
Dentro do sistema pagão que predominava, sobressaía a superstição que se ligava ao culto da deusa Diana, adorada por toda a Ásia. Éfeso era a sede desse culto e o templo dedicado à deusa foi considerado uma das «Sete Maravilhas do Mundo».
Era feito de mármore polido, sustentado por cento e vinte e sete colunas de mármore persa, cada uma com mais de vinte metros de altura.
A imagem da deusa, um quase informe pedaço de pedra que os Efésios afirmavam haver descido de Júpiter, ocupava o lugar central do templo, e da boca de milhares de seus adoradores podia ouvir-se o grito fanático: «Grande é a Diana dos Efésios», (Actos 19:34).
Foi naquela cidade e aquando da terceira viagem missionária de Paulo que se levantou uma florescente igreja cristã, que depois veio a multiplicar-se com alguns milhares de membros com os seus muitos anciãos ou presbíteros (Atos 20:17…)
A esta igreja dirige o Senhor a Sua primeira carta:

Apocalipse 2:1… «Escreve o anjo da igreja que está em Éfeso: Isto diz Aquele que tem na Sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro:
Eu sei, as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são, e tu os achastes mentirosos.
E sofreste, e tens paciência: e trabalhaste pelo Meu nome, e não te cansaste.
Tenho porém contra ti que deixaste o teu primeiro amor.
Lembra-te pois donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não virei a ti, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres.
Tens, porém isto: que aborreces as obras dos nicolaítas, as quais Eu também aborreço.
Quem tem ouvidos, ouça o que o espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus.»

Depreende-se da leitura da Carta que Jesus elogia a Igreja por cuidar dos padrões doutrinários que irradiavam do seu púlpito. Oh, como o senhor apreciava o seu trabalho sincero e perseverante, o seu zelo pela pureza moral e doutrinária, sua declarada paciência em suportar as provas que enfrentava enquanto realizava o seu trabalho!
Os que davam uma profissão falsa com o objectivo de serem admitidos como seus membros, fossem mestres ou leigos, eram provados e muitos foram achados mentirosos.
A igreja insistia na necessidade de uma comissão de fé sem qualquer reserva mental por partes dos seus membros e obreiros.
Com isto revelava o cuidado que lhe merecera a solene advertência de Paulo: «Olhai por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a Igreja de Deus, a qual Ele comprou com Seu próprio sangue. Porque eu sei isto, que, depois da minha partida entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão o rebanho; e que dentre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si» (Atos 20: 28-30)

Nem todas as coisas, porém, eram perfeitas na Igreja de Éfeso.
Tal como ainda hoje, é impossível encontrar-se a perfeição absoluta em qualquer igreja. Mas a falta da Igreja de Éfeso era das piores que se pode avaliar. E o Senhor diz «Tenho porém, contra ti que deixaste a tua primeira caridade»

No grego esta expressão é bastante mais severa, pois significa: «Tenho, porém contra ti algo muito sério…»
Sim, é muito sério a perda do nosso primeiro amor a Cristo!

«Aumentando cada vez mais o número dos seus membros, e devido à crescente responsabilidade, tornou-se necessária uma melhor organização. A organização traz um grande perigo, principalmente para sociedades cristãs que exigem uma lealdade especial por parte dos seus membros. O trabalho que os adeptos de uma organização assim realizam pode continuar, ainda mesmo em todos os aspectos exteriores, mas o incentivo poderá ser a lealdade a essa organização, poderá ser o desejo de vê-la crescer e prosperar.»

Aquela igreja retinha fé sem vacilações. Era ainda fiel aos seus princípios que consideramos fundamentais. Continuava fiel no serviço e zelo cristão. A sua motivação, porém, começava a alterar-se. O que de início era feito por amor a Cristo, o trabalho da igreja, toda a azáfama dos seus obreiros e membros, passou a ser feito em prol da igreja, em vez de ser feito por amor a Cristo.

E lealdade à Igreja nem sempre significa lealdade a Cristo; amor à Igreja nem sempre significa amor a Cristo!

Quando amamos a Igreja amamos a nós mesmos.
O amor a Cristo está em primeiro plano.
O segundo amor é a igreja.
E Éfeso tinha perdido aquele primeiro amor.
E o que é o primeiro amor?
É o amor que se sente por Cristo quando o Seu amor para connosco se torna real e é manifesta em nossas vidas; é o amor que nos constrange logo que o Senhor entra nos nossos corações e nos transporta das trevas para a Sua maravilhosa luz, da morte para a vida, do poder do diabo para a doce reconciliação e comunhão com Deus.
Quando a alma experimenta esta maravilha, então sentimo-nos dispostos a dar tudo por Cristo, porque Ele enche o nosso coração e torna-se tudo para nós.
Este primeiro amor é semelhante a uma planta muito preciosa e sensível, que carece de ser cuidada; porque se nos descuidamos, o vento seco do maligno dissipará nosso fervor, esfriará o nosso zelo e entusiasmo, extinguirá nossa exuberância e apagará a chama do amor a Cristo nos nossos corações, enchendo-nos com amor às coisas deste mundo, a coisas secundárias.
E a Igreja de Éfeso era escrupulosa na moral, fundamentalista na doutrina, mas tinha permitido que se esfriasse o seu primeiro amor. E quando uma igreja começa a descer por este declive, bem depressa abandonará a moral e a doutrina; e, perante tal perigo, o Senhor adverte: «Lembra-te pois donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres» (Apocalipse 2:5)

A exortação para que voltasse à prática das primeiras obras, prova a nossa anterior afirmação: pois quando uma igreja começa a esfriar no primeiro amor, bem depressa abandonará a doutrina e a moral. Prova outrossim, que a coisa mais importante na apreciação do Senhor é o amor ardente dos nossos corações por Ele e pelos que d’Ele são gerados (I João 5:1)
Nada O poderá satisfazer se acaso nos faltar esse amor.
Não existe, para este primeiro amor, «o amor dos desposórios» (Jeremias 2:2), qualquer substituto.
Nem o nosso entusiasmo no trabalho do Mestre, o nosso zelo constante e ardente, as vigílias e orações, correr-se daqui para acolá no desempenho da nossa missão de obreiros, etc, etc; nada disso substituirá o primeiro amor perdido.
O programa de Jesus Cristo para a salvação dos perdidos pecadores e da propagação do Seu Evangelho, eram para a Igreja de Éfeso uma fonte de inspiração, a razão da sua energia, que levava seus membros a trabalhar até a exaustão, e que implantavam nos seus corações o mais profundo anelo pela salvação das almas, e por que não dizer até, a determinado grau de rigidez no que à disciplina e sã moral de seus membros se podia exigir.
Todavia, Cristo aponta-lhes a grande falta, o «algo muito sério» que tinha contra aquela Igreja.
Mas nem tudo está perdido!
Para um pastor, para uma igreja, assim como para qualquer crente o caminho de volta à Fonte do primeiro amor é o caminho do arrependimento.
Assim, dizemos que o princípio de um verdadeiro e espiritual reavivamento, é a volta de uma igreja, do indivíduo ao primeiro amor.
Sem este divino amor derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos é dado, nada somos aos olhos do Senhor.
Embora uma igreja ou um indivíduo seja possuidor dos melhores dons espirituais, incluindo a fé que pode transportar montanhas, se não possuir este amor de Deus, apenas é metal que soa e sino que badala.
Nós sabemos que os sinos são usados nas igrejas, maioritariamente para chamar os fiéis ao culto. E o culto, com todo o seu ornamento e ritual, por muito bem organizado e enfeitado que seja, se o amor de Deus, tal como Ele nos ama e pretende que nos amemos uns aos outros com a mesma essência desse amor, não estiver em nossos corações, nada nos aproveitará.
O castiçal está a apagar-se e, se não utilizar-mos os «espevitadores» do arrependimento e da humilhação, «brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres» (Apocalipse 2:5).
Cristão, dá-te pressa em averiguar o que determinou que perdesses este divino amor por Deus, pela Igreja, pelos Irmãos, pela Palavra de Deus, pela Oração, pelas almas perdidas, etc.
E volta ao Senhor, que te ajudará.
O apóstolo S. Paulo muito solenemente diz: «A ninguém devais coisa alguma, a não ser amor com que vos ameis uns aos outros: porque quem ama aos outros cumpriu a lei. Com efeito: Não adulterarás, não dirás falso testemunho, não cobiçarás, e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume; Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor. Escutemos digo isto, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono, porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé» (Romanos 13:8-11).
Paulo liga o problema do amor, esta «dívida» que quanto maior for para com todos tanto melhor para nós, à Segunda Vinda de Nosso Senhor.
E se queres ouvir, Igreja de Éfeso, o amor é o azeite na lâmpada e na almotolia das Virgens prudentes.

Alguém lá em cima...


Alguém lá em cima gosta de mim

Mas não gosta de uma forma comum

De uma forma banal

Um gostar assim, assim.

É sim, um gostar distinto que me arrebata a alma,

Gostar que tem por nome Amor

Que é de todas as palavras

a mais bela…

Onde o sentimento do verbo amar

Se torna plenitude.

Esse Alguém lá em cima que gosta de mim

No mais arrebatado modo de se amar

Ama-me na suprema forma Divina...
Florbela Ribeiro A. S.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Boletim meteorológico espiritual


Boletim meteorológico espiritual.

Quem não sabe o que é o «boletim meteorológico»?
Mesmo quem ignora o significado dessas palavras, sabe no entanto referirem-se às notícias acerca do tempo que fará durante as próximas horas ou dias.
Há pessoas que podem não ouvir outra coisa na rádio ou televisão, mas pelo menos a informação do estado do tempo não perdem.
Só depois desligam o aparelho…
Talvez seja um agricultor pretendendo saber se pode semear ou ceifar, ou alguém em vésperas de encetar uma viagem.
Claro que semelhantes boletins podem falhar, como tantas vezes sucede.
Os homens e as máquinas são falíveis, mesmo tão aperfeiçoados como se encontram na actualidade.
Mas é Deus quem manda as chuvas e muda os tempos sem consultar as máquinas.
No entanto estamos gratos por esses meios que a ciência e a tecnologia têm posto à nossa disposição, os quais beneficiam sem dúvida o homem.

Quero porém falar de um boletim meteorológico diferente, um boletim que não anuncia sol ou chuva, mas os tempos que brevemente surgirão.
Cristo deixou-nos esse «boletim» através das Suas palavras, quando os Seus discípulos Lhe perguntaram acerca do tempo em que ocorreriam essas coisas concernentes à vinda de Jesus e ao fim do mundo.
O Senhor não revelou a data, pois tal conhecimento não nos beneficiaria.
Esse é uma das coisas encobertas que só ao Criador diz respeito. (Deuteronômio 29:29)
Perder-se-iam, com certeza, inúmeras pessoas se o dia do advento de Jesus fosse revelado. Haveria descuido total por parte dos cristãos. «Ainda falta muito tempo», desculpar-se-iam muitos.
O descuido na santificação das vidas seria geral.
E Jesus deseja que vivamos todos os dias na expectativa, como o servo que aguarda o seu senhor em vigia constante, pois não sabe quando o mesmo chega (Lucas 12:36).
Os discípulos de Jesus fizeram bem em interroga-Lo concernente aos eventos futuros, pois é a Ele que devemos fazer semelhante pergunta e não aos espíritos dos defuntos ou aos feiticeiros (Isaías 8:19 e 20; 45:11).
Isso revela que eles acreditavam na divindade de Cristo.
Em resposta, o Salvador deu-nos o «boletim meteorológico espiritual», prevendo acontecimentos que seriam uma evidência da Sua própria vinda à Terra.
Ora esses sinais estão a acontecer numa sucessão tão rápida e visível que sentimos estar iminente a segunda vinda de Cristo para levar a Sua Igreja, como sucedeu com a transladação de Enoch antes do Dilúvio.
Jesus Cristo aludiu aos tempos de Noé, afirmando que da mesma se acharia aproximando o fim. Não obstante uma cultura diferente, uma ciência e tecnologia que nem por sombras se pode comparar à de então. Haverá no entanto uma semelhança visível entre o modo de ser e viver daquelas recuadas eras e o que o caracterizará os tempos finais.
O Senhor não se limitou a dizer que seriam iguais, asseverando «em que» seriam iguais.
O leitor pode duvidar ou até não crer no boletim meteorológico de Jesus, mas o caso é que a sua Palavra não passará.
E mesmo os que não acreditam nela estão a mover-se de forma a tornar verídica a Escritura Sagrada.

Dias de violência

Lemos na Bíblia (Génesis 6:13) que Deus disse a Noé: «O fim de toda a carne é vindo perante a minha face, porque a terra está cheia de violência».
Eis o primeiro sinal dos nossos dias. A violência principiou cedo quando Caim assassinou o seu irmão Abel, e logo mais um dos seus descendentes mata outro por havê-lo ferido e um mancebo por pisa-lo, (Génesis 4:23).
A partir daí a violência cresceu até inundar a Terra.
Tudo era vingança, sangue derramado, crime.
A vida humana perdeu valor, e matar era normalíssimo.
Eis chegados a nós, dias idênticos, e o «boletim» a cumprir-se.
Lendo os jornais e ouvindo o noticiário notamos que a violência domina o mundo, desde indivíduos a nações que escravizam e violentam.
Por causa do desporto, da música, da política, etc, matam-se uns aos outros.
As autoridades não têm mãos a medir, pois os homens do crime estão muitas vezes mais bem armados do que a própria polícia.
Um dos negócios mais chorudos é o que se relaciona com a segurança das pessoas e bens.
Os anúncios de venda de armas, fechaduras com segredo e invioláveis, alarmes, etc, são vendidos aos milhares como prova de que vivemos tempos de violência.
Os filmes que as crianças mais gostam de ver são os que tratam de guerra, assaltos e pancadaria.
O nativo na sua palhota dorme mais sossegado mesmo com o leão bem perto, que habitantes das grandes cidades.
Crimes de morte são praticados na praça pública ante os olhos incrédulos dos transeuntes.
Bombas matam e destroem os bens essenciais a todos nós.
Isto é uma evidência de que o «boletim de Jesus é verdadeiro».


Dias de imoralidade


Jesus recorda, em Mateus 24:38, que nos dias de Noé as pessoas viviam alheias à Palavras de Deus, preocupando-se apenas com coisas materiais, como casar e dar-se em casamento.
A leviandade era total nesse campo. Entregavam-se à mais baixa imoralidade.
Os princípios que orientavam o casamento foram considerados obsoletos, antiquados.
O amor livre praticava-se já nesses dias embora com outro nome.
Veja-se como até as crianças são exploradas pela literatura pornográfica. Seres humanos têm relações sexuais com pessoas do mesmo sexo e até com animais!
As revistas mais vendidas e que dão lucros fabulosos são as que publicam notícias e fotografias de pessoas nuas.
O aborto legalizado é o assunto dos meios de comunicação social.
Relações sexuais antes do casamento são mantidas e até defendidas.
O nudismo, que se iniciou na Alemanha apenas em recintos fechados, é hoje praticado às claras e ganha adeptos em todas as classes sociais.
Semelhante nudismo é podridão total.
De facto, os olhos do ser humano estão cheios de adultério como escreve o apóstolo Pedro, (II Pedro2:14).


Dias de glutonaria

Antes do Dilúvio, o povo vivia praticamente para comer e beber, como disse Jesus, (Mateus 24:38).
Claro que não é pecado comer ou beber, pois trata-se de uma necessidade fisiológica de todos os mortais para se poderem manter vivos.
Uma certa forma de comer e beber, contudo, é glutonaria e embriaguês; é uma total entrega ao prazer de comer e beber.
Assim o deus-ventre vai ganhando devotos, (Filipenses 3:19).
Já acabou o tempo de se passar fome até estar paga a dívida feita em período de desgraça ou compra de algo indispensável.
Agora come-se e bebe-se primeiro.
Quem mais sofre hoje é o que tem devedores e não o que deve.
Países há onde se come demais, sendo depois necessário praticar ginástica para emagrecer, enquanto noutros morre-se de fome.
Jesus classifica de louco o que diz para si mesmo: «Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga» (Lucas 12:19).
«Comamos e bebamos que amanhã morreremos» é a filosofia inspirada no Inferno.
A fome de Deus e de salvação não existe.
Isso é mais uma prova de que «o boletim de Jesus nos avisa que estamos no fim».


Dias de ruína familiar


Escreveu S. Paulo: «Sabe porém isto: que nos últimos dias (…) haverá homens amantes de si mesmos (…) desobedientes a pais e mães…» (II Timóteo 3:1,2).
O salmista diz que os fundamentos se transtornam, Salmos 11:3; isto é uma realidade nas famílias.
A delinquência juvenil deixou de ser problema num país em particular para se tornar flagelo mundial.
Professores chegam a ir às aulas armados para se defenderem de ataques dos alunos.
A rebelião é aberta. Satanás, que se revoltou contra Deus, instiga a rebelião contra as autoridades.
Os lares perderam o calor, o ambiente familiar, e os serões ao lume (na lareira) são substituídos pelos clubes nocturnos, etc.
O pai para um lado, a mãe para outro e os filhos por sua vez, fazem o mesmo.
O boletim do senhor está certíssimo, e diz-nos que temos pouco tempo à nossa frente.


Tempo de coisas espantosas


A expressão usada pelo profeta Jeremias no seu livro (5:30) é também a que emprego no término deste artigo.
É isso que está patente aos nossos olhos.
Quanto poderia descrever acerca dessas coisas espantosas que apontam para o fim!
O leitor sabia haver pessoas que se reúnem para adorar literalmente o Diabo, invocando-o, exaltando-o, dirigindo-lhe petições como nós fazemos a Deus?
Sim, vivemos dias de autêntico satanismo.
O ateísmo está na moda. Zombar de Deus é o divertimento de muitas pessoas e até de nações.
A ciência é outra coisa espantosa e também um sinal do fim, como disse Daniel (12:4).
A ciência atingiu quase o impossível.
Infelizmente não podemos dar o nosso apoio a todas as suas invenções. Muitas invenções não favorecem o homem, mas aniquilam-no.

Tempo da Graça de Deus

Paralelamente à depravação do homem, manifesta-se a Graça de Deus.
Foi-nos prometido: «Nos últimos dias derramarei do Meu Espírito sobre toda a carne».
Isto é uma realidade.
Tal como nos dias de Noé, ao lado da violência, imoralidade e glutonaria havia um pregador anunciando e apontando para o único lugar de salvação: a Arca.
Milhares, actualmente, cansados da vida sem Deus e sem esperança, estão a nascer de novo, a crer em Deus, a ler a Bíblia, a tornar-se membros da Igreja.
As pessoas ouvem, pelo boletim noticioso, que virá tempestade, tomam naturalmente as necessárias precauções, e nem para outra coisa o tal boletim é dado.
Há também quem duvide e ria.
Pois bem, o Senhor Jesus deixou-nos o Seu aviso.
Agora depende do leitor as diligências a tomar para sua salvação.
Invoque o nome de Jesus.
Nas mãos Dele reside a sua segurança.
Viva liberto da corrupção deste mundo e depois será salvo da ira que se avizinha.
Arrependa-se agora!

Pastor Manuel S. Moutinho
Novembro 1980


segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Efeitos da pior doença


Efeitos da pior doença.

Não quero tratar neste artigo da SIDA, do Cancro ou de outras enfermidades horríveis que ceifam diariamente milhares de vidas em todo o mundo.
Desejo referir-me a uma doença que nos contagiou a todos, em toda a parte.
Essa doença está fora de moda, e são relativamente poucos os que a mencionam: devia ser, porém, algo para nos fazer lamentar.
Já dizia o profeta Jeremias:
“De que se queixa pois o homem vivente? Queixa-se cada um dos seus pecados.” Lamentações 3:39
Essa doença espiritual chama-se pecado.
O diabo, a carne e o mundo tentam-nos, mas somos nós que pecamos.
O pecado não é uma pessoa visível, porém uma força maléfica arreigada dentro de nós.
O ser humano devia odiar o pecado, todavia ama-o: devia fugir dele, mas procura-o.

O pecado fez o homem estar em desacordo com Deus!
O pecado começou por ser uma revolta contra o Criador.
É o estabelecimento duma falsa independência, a substituição de uma vida para Deus por uma vida por si próprio.
Quando o primeiro homem pecou, deixou de ter prazer na presença de Deus.
Nessas circunstâncias, Deus torna-se indesejável para a criatura humana.
O homem que devia correr para Deus, como a criança corre para os braços do pai, mas em vez disso ele foge e esconde-se.
A Bíblia afirma que o pecado faz divisão entre o homem e Deus «Isaías 59:2».
Por isso mesmo não existe desejo de escutar a Palavra do Senhor, de ser crente ou de adorar o Criador.
Podemos resumir o pecado, essencialmente, ao afastamento de Deus.

O pecado causa guerra no interior do homem.
Adão sentiu medo ao pressentir a aproximação de Deus.
O homem principia por acusar-se a si mesmo; a vergonha e o abatimento vêm em seguida.
As promessas do pecado são bonitas, mas o pagamento é cruel.
Por causa do pecado a consciência fica paralisada, a vontade enfraquece e perde o seu poder.
Por isso mesmo – como escreve o apóstolo Paulo – fazemos o que não queremos.
O pecado é enganador, é destruidor.
Promete prazer e paga com sofrimento: promete vida e paga com a morte: promete recompensa e paga com pobreza.
Pecar é fazer o que Deus não quer, é desejar conhecer o que Ele abomina, é amar o que Ele não ama.
A Escritura Sagrada mostra a luta e o desespero das pessoas que pecam contra a luz e a verdade.
O suicídio de Saul assim como o de Judas Iscariotes são provas evidentes.
O pecado é um veneno açucarado, o qual tanto arranha como apunhala o próprio pecador.
Não admira que quem ame e viva em pecado receie a morte e o juízo final.

O pecado provoca conflitos familiares.
Bem cedo os conflitos familiares apareceram.
Após a queda, Caim ficou possuído dum ódio infernal contra o seu irmão Abel, e não descansou enquanto não lhe tirou a vida.
Cedo a terra bebeu o sangue de um homem.
O pecado não deixa o ser humano ser pacífico, tolerante, respeitador nem perdoador.
O luto bem cedo surgiu, e o primeiro casal experimentou essa dor de perder um filho assassinado e ter de suportar a presença do criminoso.
Numerosas famílias permanecem actualmente divididas.
Os seus membros são inimigos uns dos outros por causa do egoísmo, da vingança, do ressentimento e da infidelidade.
Conheço famílias que só tiveram paz e harmonia quando se converteram ao Evangelho e deixaram Deus e a Sua Palavra governarem as suas vidas.

O pecado é causador da perturbação social.
No livro de Gênesis 4:23 está escrito que Lameque ameaçou de morte todo o varão que o prejudicasse.
Podemos dizer que o mundo está cheio de “Lameques”, os quais não conhecem outra linguagem a não ser a da ameaça e da violência.
Salomão diria mais tarde que o pecado é a vergonha ou opróbrio dos povos Provérbios 14:34.
O pecado transtornou o mundo belo criado por Deus, tornando-o irreconhecível.
O mundo ficou repleto de violência, de crimes, de guerras e conflitos de toda a espécie.
Temos de concordar que este não é o mundo criado por Deus.
Foi o pecado que, dominando o homem, converteu o mundo numa selva.
Muitos não suportam as ideias políticas e religiosas dos outros, e até por razões étnicas e raciais envolvem-se em violência.
Os instintos naturais alteraram-se de modo que o homem busca outro homem para coabitarem e a mulher procura outra mulher, em contradição aberta ao plano do Criador.
O respeito e a consideração estão a ser banidos do mundo.
As notícias recebidas diariamente confirmam que vivemos num mundo louco e corrupto.
As pessoas tornam-se perigosas porque perderam o controle de Deus.

O pecado conduz o homem a uma terrível eternidade.
A Bíblia declara: O salário do pecado é a morte – Romanos 6:23.
As piores consequências não são as presentes, mas as eternas.
O inferno, que Deus preparou para o diabo e os demónios, será o lugar do homem que morre nos seus pecados.
O inferno é a prisão eterna para os transgressores das leis de Deus.
Se o Criador expulsou Adão do Paraíso por um só pecado, não deixará entrar nos Céus os que conservam os seus pecados nas suas vidas, a menos que apelem para a expiação feita por Jesus Cristo na cruz do Calvário.
Para cada pecado, satanás providencia uma desculpa; Deus contudo providenciou a Expiação no Gólgota.
O maior pecado do homem é o facto de ele não reconhecer o seu próprio pecado.
O pecado traz momentos de prazer, mas simultaneamente uma eternidade de remorso e sofrimento.
Tão cedo como a noite sucedo ao dia, e o Inverno ao Verão, assim a condenação seguirá a uma vida de pecado.

Como vencer o pecado?
Para vencermos o pecado necessitamos de:
1º Deixar o Espírito Santo convencer-nos do nosso estado espiritual, diante de Deus, como pecadores perdidos.
Ele veio para convencer o homem do seu verdadeiro estado, João 16:8.
2º Temos de crer em Jesus Cristo como único Ser, enviado pelo Pai, que perdoa os pecados.
Só Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, João 1:29.
Deus não se esqueceu do pecador, mas está pronto a esquecer o pecado confessado e abandonado, Provérbios 28:13.
Todas as vezes que o ser humano se dispões a confessar verdadeiramente os seus pecados, Jesus está pronto a cobri-los com o Seu sangue.
Lemos na Bíblia que Jesus Cristo manifestou-se para aniquilar o pecado pelo sacrifício de Si mesmo, Hebreus 9:26.
O indivíduo salvo não passa a viver sem pecado, mas sim a viver vitoriosamente.
O pecado poderá entrar de surpresa na nossa casa, todavia não fica como hóspede; é destronado pela fé no sangue de Jesus.
A maioria das pessoas vive a confessar os pecados dos vizinhos e dos outros. O importante contudo, é que cada um confesse o seu próprio pecado.
O Senhor Jesus provou a amargura do pecado e da morte a fim de nós podermos provar a doçura da Sua vida e do Seu amor. Cristo não nos liberta apenas da culpa do pecado, mas também da inclinação para o pecado.
Ele concede-nos, ainda pela Sua Palavra e pelo Espírito Santo, a força para realizarmos a Sua vontade.
Não vacile, caro leitor, se os seus pecados forem tão numerosos para serem perdoados ou a sua enfermidade for tão grave para ser curada, Jesus é o Advogado que nunca perdeu uma causa, e um Médico que jamais perdeu um paciente.
Se o homem recusar aceitar a salvação, fica então abandonado à sua louca escolha e a condenação que tal decisão implica.
Por mais que ele procure esconder o pecado, jamais o conseguirá.
Só o arrependimento pessoal e o perdão divino conseguirão eliminar o pecado.
Hoje, agora, deverá ser aproveitado por todos para se buscar e viver no perdão de Deus.

Pastor Manuel da Silva Moutinho
Abril 1993