sábado, 29 de setembro de 2007

Dois tipos de mulher


Dois tipos de mulher!

Cada vez mais necessitamos ser mulheres com coragem, para enfrentar as lutas diárias que se nos deparam.
Muitas vezes, sentimo-nos frustradas e impotentes diante de tantos e tão variados obstáculos, que a vida se encarrega de nos trazer.
Nesta hora verificamos, quão frágeis somos sem a ajuda de Deus.
Só Ele pode capacitar-nos, e dar-nos força para nos tornar valentes o suficiente para encarar com optimismo as vicissitudes da vida!
Felizmente na Palavra de Deus, temos inúmeras passagens de ânimo e coragem, com lindas e maravilhosas promessas que diante das tribulações nos garantem pelo meio da fé a resolução dos problemas, ainda que na hora não seja visível qualquer luz no fim do túnel.
E fé é isso mesmo, como está escrito em Hebreus 11:1
“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.”
Existem no entanto situações para as quais não estamos de modo alguma preparadas, tal como a perda de um ente querido, enfermidades, catástrofes naturais, etc.
É da nossa, responsabilidade, no entanto, alimentarmo-nos da Sua Palavra, para estarmos fortalecidas por Ele e Nele, na hora que a dificuldade, tribulação ou luta nos bater à porta.
Temos como exemplo o Salmo 46 que principia dizendo:
“Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia.”
Todas nós já passamos por momentos difíceis e sabemos o quão penoso seria ultrapassar esses momentos, sem a preciosa ajuda do Nosso Deus!
Existe no entanto dois tipos de mulher que enfrentam de forma completamente diferente as lutas da vida.

*A Mulher Corajosa, que destemidamente avança confiante em si mesma.
*A Mulher Fortalecida por Deus e em Deus.

Analisemos seis pontos de diferença entre estes dois tipos de mulher.

1º- Uma mulher corajosa não tem medo de nada, é portanto destemida e ousada.
Uma mulher fortalecida por Deus demonstra coragem diante dos seus próprios medos.

2º- Uma mulher corajosa pratica exercício físico para se manter sempre em boa forma podendo assim com vigor ultrapassar certos obstáculos.
Uma mulher fortalecida por Deus constrói relacionamentos sólidos (de amizade e familiares) para manter a sua alma sempre em forma.

3º- Uma mulher corajosa comete erros, mas evita repeti-los no futuro.
Uma mulher fortalecida por Deus percebe que os erros cometidos ao longo da vida, podem servir de bênção, pois através deles recebe grandes ensinamentos.

4º- Uma mulher corajosa expressa no olhar e no rosto segurança, orgulho e autoridade.
Uma mulher fortalecida por Deus tem na expressão do olhar e no rosto a graça, a serenidade, a paciência e a paz que só o Senhor concede.

5º- Uma mulher corajosa não admite que ninguém tire o melhor de si própria.
Uma mulher fortalecida por Deus dá sempre o melhor de si própria aos outros.

6º- Uma mulher corajosa acredita que tem a força e a coragem suficiente para a sua jornada nesta vida.
Uma mulher fortalecida por Deus tem a firme convicção (fé) que durante a sua jornada neste mundo o Senhor a tornará cada vez mais forte.

Temos na Palavra de Deus dois exemplos que se enquadram na análise que acima referi. Encontramos ambos no livro de Ester.
No capítulo 1, versículos 10 a 12, do livro de Ester, fala-nos da Rainha Vasti, mulher formosa, corajosa, autoritária, orgulhosa e ousada, mas na sua própria força, pois negou-se a comparecer diante da presença do Rei. Teve como resultado da sua audácia a destituição do seu reinado.
Em sua substituição foi coroada como Rainha, Ester, mulher formosa, obediente e temente a Deus que foi usada de uma forma tremenda por Deus, tendo desafiado também o rei, mas segundo graça e sabedoria divina.
Ester era uma mulher fortalecida em Deus e por Deus e foi usada por Ele para ajudar o seu povo judeu, evitando assim a sua destruição.

Pergunto agora à prezada leitora:
A que grupo de mulher deseja pertencer?
Ao da mulher corajosa, que luta com bravura mas sozinha contra os desafios da vida, ou ao da mulher fortalecida em Deus e por Deus, que sabe que sejam as lutas quais forem e venham de onde vierem, Deus sempre a acompanhará, ajudará e consolará?
Jamais estará só na sua jornada, se em Deus buscar a sua força!
O meu conselho é este:
Não há nada mais maravilhoso nem melhor do que vivermos neste mundo tendo por companheiro na nossa vida a presença sublime do Bondoso e Excelso Deus!
Fortaleça-se pois prezada leitora nas Sagradas Escrituras que são a Palavra de Deus, alimentando a sua alma com a leitura diária da Bíblia, e desta forma Deus irá fortalecê-la cada dia mais e mais!
A Deus toda a Glória!


Que Deus ricamente a abençoe
Florbela Ribeiro A. S.

Resistir!


Resistir

Resistir, sempre resistir
É o que nos ensinam desde crianças
A não fazer maldades e
Nunca, nunca, mentir.
Mas às vezes é difícil resistir
Ver a felicidade ali tão perto
Mesmo a mão de pegar, tirar…
E fica complicado resistir
Mas ninguém se iluda
Porque a felicidade
Não cai do céu
Não está ali ao lado
Não brilha como os diamantes
Não, mil vezes não!
Essa felicidade que vês
Perto da tua mão
É ilusória
É somente para te tentar enganar
É para te enfeitiçar
Para te encantar
São as artimanhas do inimigo
Que fazem o mal parecer bem
O feio parecer bonito
O escuro parecer luz
E é neste engano, nesta ilusão
Que muitos jovens caem em tentação
E muitos adultos também
Não buscam a Deus
Buscam a felicidade ao alcance das suas próprias mãos
É aí que se ferem mais e mais
É aí que o barco afunda
Caem no lodo,
Caem no laço do inimigo…
Do inimigo das nossas almas

Olhai para Deus!
Ele sim, tem a plena
A total
A verdadeira
A sublime
Felicidade e paz para te entregar
Só Ele tem estas bênçãos para ti
Ele não te engana
Não te ilude
Não te encanta com falsidade
Pois Ele é o Deus Todo-Poderoso
Que jamais trai ou mente
Ele é fiel
Ele é justo
Ele é amor
Ele é verdade
E só Nele há salvação
Só Nele à vitória
E com Ele tu alcançarás
Felicidade!
Paz!
Alegria de viver!
E sabedoria
Para resistir
Sim com Ele do teu lado
Irás resistir a tudo
Mas mesmo a tudo!
Tudo aquilo que não agrada a Deus
Tudo que é negativo
Tudo o que é falso
Tudo o que ilusão
Tudo o que é perigoso
Tudo o que é traição
Tudo o que é pecado
Tudo o que é vaidade
Tudo o que é orgulho
E obra da carne
Deus ajuda-te a ter vitória!
Ele é Deus de amor
De justiça
De paz
De felicidade
E plenitude de vida!
Sabes porquê?
Porque Deus é Deus de felicidade!


Florbela Ribeiro A. S.
Maio 2006

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Palavras soltas...


Deus meu

Deus, dá-me a luz dos teus olhos;

A melodia dos teus lábios;

O calor das tuas mãos.

Mas acima de tudo,

Dá-me o amor do teu coração.

Valmor Vieira

Sansão...


Estudo sobre Sansão



Sansão morreu de forma natural ou cometeu suicídio?



Eis aqui uma questão importante e inquietante.

Mas antes de responder quero comentar a vida deste homem de Deus, para melhor se entender o que realmente aconteceu.

Morte ou suicídio eis a questão.



À luz das Sagradas Escrituras, podemos analisar que Sansão nasceu com um propósito muito especial.

Devido aos deslizes e pecados constantes do povo de Israel, Deus os entregou na mão dos filisteus, por quarenta anos.

Deus na sua infinita misericórdia, enviou mais uma vez o socorro ao seu povo.

Desta feita enviou o Senhor um anjo à mulher de Manoá.

Esta era estéril, não tinha por isso filhos, mas o anjo do Senhor deu-lhe a boa nova e explicou-lhe como deveria agir.

Ela deveria pois guardar-se de não beber vinho, nem comer nada imundo, nem ainda passar navalha na cabeça do filho varão, que ia nascer. Ele seria um nazireu consagrado a Deus desde o ventre da mãe.



Faço aqui uma pausa para explicar o que significa ser nazireu.



Nazireu: traduzido para português = separado.

Na-zír: em hebraico =consagrado a Yaveh.

Né-zir: variação do hebraico = sinal sagrado de dedicação.



Este nome designa uma pessoa consagrada e dedicada totalmente ao Senhor.

Esta consagração poderia durar um período de tempo ou toda a vida. No caso de Sansão, o seu estado de nazireu era um chamamento, uma vocação desde antes do seu nascimento e para toda a vida.

Não foi por opção, mas sim pela Graça de Deus que Sansão foi separado para O servir.

O seu voto era de uma consagração total, para toda a vida, como lemos em Juízes 13:5: “…porque o menino será nazireu de Deus desde o ventre…”



Sansão veio ao mundo com um propósito muito especial.

Iniciar o livramento do povo de Israel das mãos dos filisteus, (Juízes 13:5).



Vejamos a importância das recomendações que o anjo deu à mãe de Sansão.



1º Guardar-se de não beber vinho:



A Palavra de Deus, diz referindo-se aos sacerdotes que estes não deveriam beber vinho quando entrassem para ministrar diante do Senhor. Fora isso poderiam beber, sempre com moderação.

No caso de Sansão verificamos que esta proibição começou ainda quando este se encontrava no ventre da mãe. Pois já aí ele estava separado para Deus.

Sansão trabalhava a tempo integral na obra do Senhor.

Qual guerreiro em campo de batalha, Sansão tinha por missão estar sempre pronto para defender o povo israelita.

Tinha que estar sempre lúcido, sempre vigilante e atento para cumprir as ordens do Senhor a quem estava consagrado.



2º Não comer nada imundo:



Isto simboliza a separação das coisas santas das mundanas, das puras para as imundas.

Sansão era considerado como um Templo vivo, por tanto não poderia contaminar-se com nada de imundo, impuro ou mundano, ainda dentro do ventre da sua mãe.

Isto revela-nos a separação tanto a nível físico como espiritual, que Deus pretendia de Sansão.

Em Romanos 8:6 diz: “Porque a inclinação da carne é morte…

Usando o mesmo exemplo do sacerdote, este não poderia tocar em nenhum corpo morto, contudo havia uma excepção no caso de o morto ser parente próximo.

Morto ou morte aqui simboliza carne, pecado, imundície e impureza.

Sansão como nazireu e Templo vivo diante do Senhor, não poderia nunca fazer tal, nem que este fosse familiar próximo.

Sansão deveria viver apartado de tudo o que fosse pecado e abster-se dos prazeres imorais deste mundo.



Até aqui vemos que Sansão tinha que estar sempre vigilante na sua missão de nazireu e não deixar-se nunca contaminar pelo mundo que o rodeava.







3º Cabelos compridos:



Aqui vemos uma marca externa da consagração interna de Sansão.

Esta cabeleira comprida simbolizava a coroa da glória que havia sobre Sansão.

Por ela todos sabiam que ele estava separado e consagrado para Deus.

De acordo com o Novo Testamento, os cabelos longos no homem são algo vergonhoso, (I Coríntios 11:14).

Ao deixar crescer os seus cabelos Sansão, declarava a sua disposição em suportar toda a zombaria e o opróbrio por amor a Deus.



Faço aqui um parêntesis para analisar este aspecto ao nível do crente actual.

Todos nós, os que verdadeiramente somos salvos, estamos separados do mundo.

Vivemos no mundo, mas não para o mundo, nem para os seus prazeres e falsos encantos. Este mundo não atrai o verdadeiro cristão, pelo contrário, o crente deseja a Vinda de Cristo com ansiedade pois o pecado que este mundo contém sufoca e entristece a alma dos filhos de Deus.

O gozo terreno não trás satisfação alguma, porque todo o prazer e satisfação está no encontro que o homem tem com o Salvador Jesus Cristo.



Sansão nazireu – homem separado para servir a Deus.

Crente fiel – separado do mundo, para ser a luz e o sal, na terra.

O Mundo caminha numa direcção, mas os filhos de Deus, seguem em direcção oposta tanto na escola, no trabalho na sociedade em geral.

O nosso exterior, nossa conduta, nossa maneira de falar, de agir, de pensar, nossos divertimentos, os locais que frequentamos, deve fazer a diferença na sociedade que nos rodeia.

Porquê?

Porque fomos escolhidos e separados para viver e servir a Deus, Nosso Senhor e Salvador!

Aleluia!!!



Avaliemos agora a conduta de Sansão.

Enquanto ele foi fiel ao voto de nazireu, Deus o abençoou grandemente.

A Bíblia relata-nos os actos heróicos que ele praticou.

Sabemos que a força física de Sansão não provinha dele mesmo, mas do Espírito do Senhor que tinha descido sobre ele.



Quando matou o leão com as próprias mãos.

“Então o espírito do Senhor se apossou dele tão possantemente que o fendeu de alto a baixo, como quem fende um cabrito, sem ter nada na sua mão” (Juízes 14:6);



Outra situação foi quando fez uma aposta com os filisteus.

Ele deu-lhes um enigma para decifrar, mas foi traído pela futura esposa e ficando muito irritado matou 30 filisteus e tomou os seus vestidos e pagou a sua dívida, (Juízes 14:19).

“Então o espírito do Senhor tão possantemente se apossou dele, que desceu aos ascalonitas, e matou deles 30 homens, e tomou os seus vestidos e deu as mudas de vestidos aos que declararam o enigma…”



Após esta situação o sogro de Sansão deu a filha que ele desejava para si, ao seu companheiro. Furioso Sansão pegou fogo às searas dos filisteus.

Quando estes descobriram mataram a mulher que ele tanto desejava assim como o pai dela. (Juízes 15:1-7).

Esta situação fez com que o povo de Judá deixasse de ver Sansão como o libertador do povo.

Ele tornou-se aos olhos do povo, mais uma causa para sofrer perseguição por parte dos filisteus.

Por este motivo 3000 homens de Judá amarraram Sansão e o entregaram aos filisteus, (Juízes 15:10-13).

Quando os filisteus viram Sansão amarrado e humilhado, pois estava sendo trazido pelo seu próprio povo, jubilaram.

Mas mais uma vez o Senhor foi com Sansão.

“E, vindo ele a Leí, os filisteus lhe saíram ao encontro, jubilando: porém, o Espírito do Senhor possantemente se apossou dele, e as cordas que ele tinha nos braços se tornaram como fios de linho que estão queimados, e as suas amarraduras se desfizeram das suas mãos. E achou uma queixada fresca de um jumento, e estendeu a sua mão tomou-a, e feriu com ela mil homens.” (Juízes 15: 14-15)

Nestas duas últimas situações podemos constatar que Sansão estava a desviar-se gradualmente dos propósitos que Deus tinha para a sua vida.

A vingança de Sansão afastou-o dos caminhos de Deus.

Ele estava a vingar-se por motivos pessoais e não para libertar o povo israelita.

Foi esse o grande erro de Sansão.

Ele desviou-se de Deus e passou a seguir os seus desejos pessoais.

Sua queda começou quando olhou para uma mulher filisteia e a desejou para si como mulher (Juízes 14:1-2).

Ele veia para libertar o povo israelita e não para se misturar com os filisteus.

Deus tinha um caminho traçado para Sansão repleto de Graça, Poder e Unção, mas Sansão desviou o seu olhar do criador e olhou para o mundo que o cercava.



Na sua insatisfação pessoal Sansão, continua agindo de forma errada quando procura uma prostituta, (Juízes 16:1)

Ele desviou-se de Deus de tal forma que iniciou a busca de satisfação nos prazeres da carne.

Acredito que apesar dos muitos erros que Sansão já tinha cometido, a partir do momento que olhou para uma mulher filisteia, Deus teve misericórdia dele e na sua longanimidade continuou abençoando-o.

Mas verificamos que a partir do capítulo 16 de Juízes Sansão fica por conta própria.

Sansão escolheu o mundo e Deus respeitou com tristeza a sua escolha, abandonando-o na sua jornada.

O servo que Deus elegera para iniciar a libertação do povo, tinha caído nas amarras de satanás.

Sansão desviou-se do seu caminho, porque olhou para o lado.



Que Deus tenha misericórdia de nós, para que jamais façamos como ele fez. Que nossos olhos possam estar sempre virados na direcção do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.



Sansão desceu até ao fim do poço.

Foi enganado, humilhado, desprezado, escravizado e até os seus olhos lhe foram arrancados.



Quanto sofrimento padeceu por se desviar de Deus, e dar azo a uma atracção da carne, satisfazendo assim os seus desejos imorais.



O senhor deste mundo é hábil em seduzir com beleza, encantos e artifícios, mas tudo isto é apenas e só, uma ratoeira para ver quem nela cai.

Infelizmente podemos constatar que muitos estão caindo na armadilha.

Desviam-se do primeiro amor, ficam mornos, deixam de ir aos cultos, de ler a Palavra de Deus, deixam de ter comunhão com Deus através da oração, e assim se inicia a queda do homem.

Subtilmente o inimigo vai entrando e se enraizando ficando o crente indefeso perante o poder de satanás, cai na cilada e fica derrotado.





Foi o que aconteceu com Sansão.

Mas apesar de ele se ter afastado de Deus, e ter perdido a sua comunhão com o Senhor, Deus esperava por Sansão.

A sua misericórdia é grande sobre os que se arrependem.

A prova está quando Sansão clamou ao Senhor verdadeiramente arrependido, Deus não só o ouviu, como também renovou as suas forças.

“Então Sansão clamou ao Senhor e disse: Senhor JEOVÁ, peço-te que te lembres de mim e esforça-me agora, só desta vez, ó Deus, para que de uma vez me vingue dos filisteus, pelos meus dois olhos.

Abraçou-se, pois, Sansão com as duas colunas do meio, em que se sustinha a casa, e arrimou-se sobre elas, com a sua mão direita numa e com a esquerda na outra.

E disse Sansão: Morra eu com os filisteus! E inclinou-se com força, e a casa caiu sobre os príncipes e sobre todo o povo que nela havia; e foram mais os mortos que matou na sua morte do que os que matara na sua vida.” (Juízes 16:28-30)



Foi esta demonstração de arrependimento e fé em Deus que nos dá a resposta à pergunta em cima elaborada.

Morte ou suicídio?

Morte claramente.

Se tal não fosse Deus jamais o incluiria entre os Heróis da Fé, como está escrito em Hebreus 11:32.

Apesar do terrível desvio que Sansão fez na sua trajectória de vida, ele no final da mesma, termina cumprindo o propósito para o qual veio a este mundo.

Iniciar a libertação do povo israelita da opressão dos filisteus, matando na hora da sua morte mais filisteus do que em toda a sua vida.

Sansão era um guerreiro de Deus e morreu na Batalha, ao serviço do seu Senhor!

Deus seja Louvado!

Amem!



30 de Junho de 2006

Florbela Ribeiro A. S.

Milénio


O Milénio



O plano redentor de Deus para o homem findará com a Dispensação do Milénio, cujas palavras-chave são: Rei e Governo Divino. Nosso Senhor Jesus Cristo descerá pessoalmente à Terra e sentar-Se-á no trono de David. Jesus denomina esse tempo de Regeneração (Mateus 19:28), e Pedro de tempos de restauração (Actos 3:20,21).

O Milénio principiará com a manifestação (parousia) de Cristo na segunda fase da Sua segunda Vinda (Apocalipse 19:11-12) e findará com a libertação do diabo com a posterior batalha de Gogue e Magogue, com a instalação do Grande Trono Branco (Apocalipse 20:11-15).

Vejamos alguns propósitos do Milénio:



1) Consumar todas as alianças feitas com o homem no decorrer dos séculos.

2) Estabelecer a justiça e a paz na Terra.

3) Exaltar a soberania universal de Cristo.

4) Restaurar a posição de Israel como cabeça das nações.

5) Exaltar os santos de todos os tempos.

6) Subjugar todos os inimigos do Senhor.

Quando Jesus começou o Seu ministério terreno, na Palestina, fez o primeiro discurso revelando a plataforma para um governo especial, apresentando uma legislação profunda, registada nos capítulos cinco a sete do Evangelho Segundo S. Mateus.

Os judeus rejeitaram Cristo como Rei e desde então Ele voltou-Se para os gentios, pelo que o Sermão do Monte, na sua mais profunda acepção, ficou reservado para uma validade integral na instituição do Governo Divino.

Assim sendo, ele será a pedra angular das actividades do Rei, durante o Milénio, cujo governo será teocrático, isto é, governo pessoal de Deus (Isaías 52:7; Daniel 7:13-17; Lucas 1:23-33).

I) VERDADES BÍBLICAS SOBRE O MILÉNIO



1) Será um reino literal e universal.

(Salmo 2:6-8; Jeremias 3:17; Zacarias 9:10; Daniel 2:34-35; Apocalipse 11:15)



2) Jerusalém será a capital do reino.

(Isaías 2:2-4; 24:23; Jeremias 3:17; Ezequiel 48)



3) Os animais tornar-se-ão dóceis.

(Isaías 11:6-9; 65:25; Oséias 2:18)



4) Será uma época de justiça e paz.

(Isaías 9:6-7; 11:4: Salmos 96:13; Zacarias 9:10; Apocalipse 2:27; 19:15)



5) A Terra ficará mais fértil.

(Isaías 35:1; Amós 9:13-15)



6) A vida humana prolongar-se-á.

(Isaías 65:20-22; Zacarias 8:4-5)



7) Satanás será amarrado.

(Apocalipse 20:2-3)



II) OS SUBDITOS DO REINO MILENAR.



Haverá duas classes de súbditos durante a Dispensação do Governo Divino:



a) Homens glorificados

b) Homens naturais





Os glorificados serão de 3 origens:



a) Crentes do Velho Testamento

b) Crentes do Novo testamento

c) Salvos durante o período da Tribulação



Os homens naturais serão também de três origens:



1) Judeus sobreviventes à Grande Tribulação.

(Zacarias 13:8-9; Apocalipse 12:14-17)



2) Gentios que entrarão no milénio por decisão decretada no julgamento das nações.

(Mateus 25)



3) Nascidos na época milénio.

Porto de Abrigo


Porto de Abrigo!



Porto de abrigo, é o lugar onde em dias de tempestade, ancoramos o nosso barco, com fortes amarras de modo a que este fique firme e ali possa esperar a calmaria voltar.

É o local onde encontramos refúgio, protecção e segurança!

O Senhor Jesus Cristo é o Porto de Abrigo de todas as almas cansadas! Todas mesmo sem excepção!

«Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza e nele confiarei» (Salmo 91:2)

Nós, mulheres cristãs somos discípulas do Bom Mestre, e como consequência disso, seguimos as suas pisadas, os seus ensinamentos e mandamentos.

Vamos pois ser bússolas nas mãos de Deus para levar toda a alma cansada e abatida, ao Porto de Abrigo.

Vivemos num mundo hostil, violento, desumano, insensível, calculista e materialista.

Sintamos pois, nós, o desejo e a necessidade de ser um instrumentos do Senhor, auxiliando e levando o conhecimento da Sua Palavra, a todos quantos andam perdidos pelo mundo, e que precisam de um lugar tranquilo para descansar o fardo que carregam.

«Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei» (Mateus 11:28)

Como cristãs abracemos esta causa tão nobre e vamos assim receber, acarinhar e encaminhar os que necessitam conhecer este Deus tão maravilhoso!

Só Ele tem a solução para todos os problemas. Todos mesmo!

Não podemos ser egoístas e guardar só para nós, as bênçãos e as promessas tão consoladoras que Deus nos revela na Sua Santa Palavra!

Temos e devemos repartir com os demais, o amor que Deus nos concedeu!

Levar todos ao conhecimento da existência de um Deus Grande e Poderoso que ama, salva, cura e transforma o velho homem numa Nova criatura!

Este é um mandamento do Mestre; amar-nos uns aos outros como está escrito em João 15:12:

«O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.»

«Purificando a vossa alma na obediência à verdade, para caridade fraternal, não fingida, amai-vos ardentemente uns aos outros, com um coração puro.» (I Pedro 1:22)

«Honrai a todos. Amai a fraternidade. Temei a Deus. Honrai o Rei.» (I Pedro 2:17)

Existem ao nosso redor tantas pessoas que precisam de ajuda para se libertarem do fardo da tristeza, da ilusão, da dor, do fracasso, decepção, tribulação, depressão, angustia, etc.

«O Senhor será também um alto refúgio para o oprimido; um alto refúgio em tempos de angustia» (Salmo 9:9)

«O Senhor é o meu rochedo, e o meu lugar forte, e o meu libertador; o meu Deus, a minha fortaleza, em quem confio; o meu escudo, a força da minha salvação, e o meu alto refúgio.» (Salmo 18:2)

Sejamos pois, o sinal de trânsito que indica o local desse Porto de Abrigo para aqueles que nos estão próximos, direccionando-os desta forma ao encontro de uma vida melhor, restaurada, renovada, santificada e justificada por Jesus Cristo.

Precisamos estar atentas ao que se passa à nossa volta, para poderemos ajudar, apoiar, conversar, ouvir e orientar todos que precisam chegar ao caminho do Pai Celestial.

Ao verdadeiro Porto de Abrigo.

«…Então, levantou-se, repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se uma grande bonança.» (Mateus 8:26)

«E será aquele varão como um esconderijo contra o vento, e como um refúgio contra a tempestade, e como ribeiros de águas em lugares secos, e como a sombra de uma grande rocha em terra sedenta» (Isaías 32:2)

«Bendito seja o Deus Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados de Deus» (II Coríntios 1:3,4)

Façamos isto com humildade e deixemo-nos usar por Deus, sendo vasos de bênção ao seu serviço, e deixando-nos usar pelas suas Divinas mãos!

Tenhamos sempre no nosso semblante um sorriso, da nossa boca sai-a uma palavra sábia de consolo e ânimo, das nossas mãos sai-a um gesto carinhoso e com os nossos braços possamos abraçar e confortar quem precisa sentir um toque de amor.

O toque do Amor de Deus!

Façamos isto não só com os que nos rodeiam, mas também com todos os que nos são próximos, ou seja a nossa família.

Comecemos por ela e de seguida, abracemos a causa dos outros que ao nosso redor tanto padecem.

Vizinhos, amigos, colegas de trabalho, companheiros de escola, etc Não nos esqueçamos dos desconhecidos com os quais nos cruzamos tantas vezes na rua e daqueles que são chamados de «Os sem abrigo».

Oh amadas irmãs há tanto serviço para fazer em prol da obra do Mestre.

Foi o próprio Jesus que disse que veio ao mundo não para curar os sãos, mas os doentes.

Se somos suas seguidoras façamos algo neste campo também.

Claro que para que isto acontecer, temos que esquecer o nosso ego e pensar mais nos outros, esquecer as nossas próprias dores e suavizar as dores do próximo.

«E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus esta derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Romanos 5:5)

«A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros: porque quem ama aos outros cumpriu a lei» (Romanos 13:8)

Esqueçamos pois as nossas fraquezas e tornemo-nos fortes em Deus e com Deus e desta forma vamos levar outros ao encontro deste Porto de Abrigo tão especial!

«…e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.» (Efésios 3:19)

«…e andai em amor, como também Cristo vos amou e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave» (Efésios 5:2)

Queridas irmãs, ensinemos todos que nos estão próximos a encontrar o caminho da bonança!



Que Deus ricamente vos abençoe!

Florbela R. A. Silva

Ser um Ribeiro


Ser um Ribeiro!

Que bom seria se cada uma de nós ansiasse ser como um Ribeiro!

Não um caudal de água comum. Não!

Mas um ribeiro com águas puras, vitais e cristalinas.

Um ribeiro que transbordasse, e no seu transbordar, encaminhasse todos quantos têm sede de amor, carinho, ânimo, coragem, e os levasse ao encontro da Fonte da Água Viva que é Jesus Cristo!

Em João 7:37 e 38 lemos a seguinte afirmação de Jesus Cristo:

«… Se alguém tem sede, que venha a mim e beba.

Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre.»

Num mundo tão corrompido de valores morais e sociais em que estamos inseridas, temos e devemos, nós, mulheres cristãs marcar a diferença.

Toda a nossa conduta, a nossa postura, o nosso diálogo e o nosso semblante devem demarcar essa diferença.

O temor a toda a Palavra de Deus é relevante para que essa mesma diferença seja notória aos olhos de todos aqueles que nos rodeiam.

Provérbios 14:27

«O temor do Senhor é uma fonte de vida para preservar dos laços da morte»

Devemos pois reflectir a imagem de Cristo, e se Ele é a Fonte da Água Viva, temos nós obrigação de ser também no meio social onde estamos inseridas, ribeiros que nascem como caudais, dessa mesma Fonte!

Devemos ser castas na nossa forma de viver, pensar, agir e falar.

O nosso carácter deve transparecer serenidade, honestidade, franqueza, verdade, paz e pureza.

Provérbios 18:4

«Águas profundas são as palavras da boca do homem, e ribeiro transbordante é a fonte da sabedoria»

Devemos ser vitais para a sociedade e dessa forma, moraliza-la, exemplificando uma conduta correcta e dignificante que nela deveria existir.

II Pedro 2:17

«Estes são fontes sem água, nuvens levadas pela força do vento, para os quais a escuridão das trevas eternamente se reserva…»

É de uma extrema importância marcar a diferença onde quer que estejamos, seja no lar, no trabalho, entre familiares, amigos, colegas de escola, vizinhos, etc.

Devemos também ser cristalinas, ou seja límpidas.

O nosso coração e a nossa mente devem estar livres de mágoas, ressentimentos, ódios, rancor, inveja, soberba, ganância, vaidade, luxúria, etc!

Só desta forma transparente e nítida, poderemos reflectir a imagem de Cristo!

Essa imagem reflecte-se numa vida de arrependimento, restaurada, renovada e a Ele totalmente consagrada.

A Palavra de Deus é um imenso reservatório de águas verdadeiramente limpas, onde podemos matar a nossa sede, buscar sabedoria, força, conhecimento, consolo, paz, graça e os dons que Deus nos prometeu conceder, se a Ele formos fiéis.

Busquemos essa Fonte e mergulhemos nela para que o Espírito Santo possa fluir nas nossas vidas!

Se assim fizermos o nosso agir será por Ele dirigido de uma forma maravilhosa.

Na hora certa, proferiremos a Palavra de Deus de forma correcta e o impacto será tremendo para todos quantos não conhecem a Cristo.

Desta forma levaremos a esperança da Salvação e da Vida Eterna que, o Nosso Senhor Jesus Cristo, resgatou e comprou para todos nós através da sua morte sacrificial!

A Sua maior prova de amor!

Sejamos pois um ribeiro de águas transbordantes no carinho, na paciência, no conhecimento da Palavra de Deus, executando a mesma e aplicando-a nas nossas vidas.

Desta forma vamos conseguir evangelizar e moralizar com actos, aconselhamento e ajuda, todos quantos nos rodeiam e vêem em nós o reflexo da maravilhosa Fonte da Água Viva.

Sejamos pois um instrumento por Ele usado, quando procuradas por aqueles que precisam de Deus, e O buscam através de nós!

Apocalipse 21:6

«…A quem tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida»

Que Deus ricamente vos abençoe!



Florbela Ribeiro A.S.

Bendita desobediência


Bendita desobediência



A obediência a Deus, aos pais, aos pastores e às autoridades é recomendada na Bíblia.

Aos obedientes são prometidas bênçãos, mas aos desobedientes penalidades.

O exemplo de Saul é bem conhecido, pois o Senhor rejeitou-o como rei de Israel por causa da desobediência cometida, ouvindo do profeta Samuel as seguintes palavras: “O obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender melhor do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria.” (I Samuel 15:22-23)

Neste artigo, porém, desejamos considerar o tema bendita desobediência, inspirado no exemplo de um personagem bíblico que desobedeceu, advindo-lhe por esse facto um grande benefício.

Tal desobediência é ensinada e apoiada nas Escrituras.

Sempre que alguém se opõe e levanta contra Deus e a verdade, não há outro caminho que não seja a desobediência.

No Evangelho segundo Marcos 10:46-52, lemos acerca de um pobre cego que se achava à beira do caminho mendigando.

Sente-se intrigado com o rumor de muitos passos e uma vozearia fora do comum, e pergunta o que se trata. “Jesus de Nazaré está passando!”, respondem-lhe.

Dificilmente entenderemos o que experimentou aquele coração. O nome de Jesus era decerto bem conhecido por ele, pois a fama do Nazareno espalhava-se pelas cidades e aldeias de Israel.

Aquele invisual, todavia, não tinha possibilidade de procura-Lo, a fim de recuperar miraculosamente a vista, e também não possuí-a amigos para levá-lo à presença do Salvador.

Sentiu ser essa sua única oportunidade, pelo que, vencendo a timidez, começou a gritar: “Jesus, filho de David, tem misericórdia de mim!”

Fez isto constantemente, na esperança de que o seu apelo aflitivo chegasse aos ouvidos do divino Mestre.

A multidão não ajuda; os que se encontravam perto de Jesus permaneceram alheios às súplicas do mendigo.

As pessoas passam indiferentes, mas ele continua a clamar.

Incomodados pelos gritos de Bartimeu, repreendem-no para que se cale.

Quem pode todavia calar um necessitado que vê a bênção a dois passos da sua vida?

Quem pode reduzir ao silêncio uma alma que sabe poder Cristo acabar, naquele momento, com a sua infelicidade?

A multidão está incomodada, pois não sente a necessidade de Bartimeu; a fé do cego parece-lhes loucura, e seus clamores vãos. “Cala-te”, diziam os que passavam, mas ele clamava cada vez mais. “Filho de David, tem misericórdia de mim!”.

Jesus ouviu, parou e mandou que lhe trouxessem o cego, e só então o povo se desfez em amabilidades… – “Tem bom ânimo: Levanta-te que Ele te chama.”

Mais uns segundos, e o cego chega junto de Jesus: “ Mestre, que eu tenha vista”.

E o Senhor disse-lhe: “Vai, a tua fé te salvou!”. E logo viu, e seguiu a Jesus pelo caminho.

Bendita desobediência de Bartimeu, pois graças a ela foi ouvido por Cristo e recebeu cura.

Parece que não se havia comportado de forma nada ortodoxa em público, mas estava em jogo a sua felicidade.

Quando alguém está em perigo urge que seja salvo.

Bartimeu deve ter dito muitas vezes:

“Olha se eu tivesse obedecido à multidão! Ainda hoje era cego.”

Prezado amigo, esta desobediência tem de ser praticada ainda hoje pelos que desejam os benefícios de Deus, pois aquela multidão deixou descendência…. Onde houver uma pessoa que sabe estar em Jesus e no Seu Evangelho o que necessita, logo os familiares, os vizinhos, os amigos, os colegas de trabalho, os religiosos procuram travar esse desejo e ditar proibições: “Cala-te, não fales mais; tem juízo, tem vergonha!”

Como se o simples facto de ser crente evangélico seja uma desonra para o bom-nome da família, uma coisa repugnante que o marido não deseje ver na presença da esposa, nos filhos ou nos pais…

A proibição sobe de tom à medida que a alma faminta insiste em seguir Jesus.

Ameaças, insultos, agressões são a arma satânica que actua a fim de impedir a felicidade e a salvação das pobres criaturas.

Não há outro caminho senão seguir o exemplo de Bartimeu, permanecendo-se firme nas convicções.

Ser desobediente, neste caso, é uma virtude. O Senhor Jesus Cristo afirmou: “Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim não é digno de Mim: e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim não é digno de Mim. E quem não toma a sua cruz, e não segue após Mim, não é digno de Mim”, (Mateus 10:37-38).

O apóstolo Pedro, quando foi proibido de falar acerca de Jesus, retorquiu: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (Actos 5:29).

Há um texto no Velho Testamento que diz: “Quem observa o vento, nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará” (Eclesiastes 11:4).

Isto quer dizer que se estivermos à espera de autorização e facilidades para optarmos por Jesus, se estivermos esperando melhores dias para nos converter a Ele, jamais seremos crentes.

Solteiro ou casado, filho ou pai, superior ou subordinado, o caminho é seguir a Cristo.

Inúmeros crentes dão testemunho de que nesta desobediência ganharam os seus familiares pelo porte e pelo bom testemunho.



(Pastor M. Moutinho / Fevereiro 1976)

Algum dia será tarde demais...


Algum dia será tarde demais



Tarde é a última parte do dia.

Tarde é o que alguém faz fora de tempo.

As Escrituras Sagradas dizem no 3º capítulo do livro de Eclesiastes que “há tempo para tudo”, mas não existe SEMPRE tempo para tudo!

O tempo não é perpétuo. Há sempre bebés no mundo, mas nós não somos sempre bebés.

Passa o tempo da escola, da mocidade, e vem o tempo da velhice.

Em certas situações, chegando-se tarde, ainda é possível resolvê-las se pagarmos o excesso, a multa com juros.

Nas coisas espirituais, porém, as oportunidades cessam.

Eis várias coisas para as quais algum dia será TARDE DEMAIS.



1 – ALGUM DIA SERÁ TARDE DEMAIS PARA ORAR.



A bíblia exorta: “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto” (Isaías 55:6).

Isto significa que um dia será tarde demais para invocar a Deus.

Orar é uma necessidade de todos os homens para salvação e perdão.

Por isso dizia o apóstolo Pedro a um indivíduo chamado Simão: “Ora a Deus para que porventura te seja perdoado o pensamento do teu coração; pois vejo que estás em fel de amargura, e em laço de iniquidade” (Atos 8:22-23).

Alguns pensam que orar é apenas necessidade dos aflitos, dos doentes, dos moribundos.

Orar a Deus, todavia, é necessidade tanto do crente como do incrédulo, tanto do salvo como do perdido.

Não é só a mãe piedosa que deve orar ou a igreja; cada um de nós precisa de fazê-lo.

O próprio Jesus deu lugar especial à oração na Sua vida terrena.

Todos carecem e todos devem orar.

Devemos interceder pela nossa família.

Devemos interceder pelos doentes, pois o conselho é “Orai uns pelos outros, para que sareis” (Tiago 5:16).

Precisamos de orar em todo o período da vida.

Temos, contudo, o aviso da Escritura Sagrada, que devemos orar a Deus a tempo de O achar (Salmo 32:6).

O homem rico, mencionado por Cristo no 16º capítulo de Lucas, não teve tempo na vida para orar, mas orou tarde e mal, porque dirigiu a sua prece a Abraão, quando a sua oração deveria ser feita apenas a Deus.

Elias podia orar por Eliseu, mas só enquanto não fosse tomado para Deus (II Reis 2:9).

Não deixe para tarde a sua oração.

Muitas ocupações esperam os crentes na Glória, pois aí serviremos o Senhor (Apocalipse 22:3), mas não teremos o serviço de intercessão.



2 – ALGUM DIA SERÁ TARDE DEMAIS PARA OUVIR A PALAVRA DE DEUS.



Muitos agora desculpam-se com a falta de tempo para assistirem aos cultos.

Não têm tempo.

Estão muito ocupados.

Têm compromissos, têm passeios, têm visitas.

Até há crentes que afirmam não ter tempo para irem ao culto.

Para outros a Palavra de Deus não é uma necessidade.

Gostam de cultos mas com pouca pregação e estudo bíblico.

Quando chega a hora da mensagem têm vontade de dormir, ou sentem falta de ar.

Virá contudo o tempo em que terão verdadeiro interesse na Palavra.

Amós profetizou: “Eis que vêm dias, diz o Senhor Jeová, em que enviarei fome sobre a terra, não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor. E irão vagabundos de um mar até outro mar, e do norte até ao oriente; correrão por toda a parte, buscando a palavra do Senhor, e não a acharão” (Amós 8:11-12).

A Palavra é como a água que sacia e lava.

Ela produz novo nascimento e santificação.

Ela é o pão espiritual.

Jesus disse: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mateus 4:4).

Actualmente qualquer coisa banal serve para impedir a assistência ao culto.

Chegará o dia – após o arrebatamento da Igreja – em que haverá grande fome e sede da Palavra, mas será demasiado tarde.

Saibamos hoje aproveitar o tempo, de modo a sermos alimentados, a sermos sábios, a manejar bem a Palavra de Deus.



3 - ALGUM DIA SERÁ TARDE DEMAIS PARA O ARREPENDIMENTO.



Arrependimento é uma necessidade de todas as pessoas.

O Senhor Jesus advertiu: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados…” (Atos 3:19).

Grande parte das pessoas sabe isso, e nem sequer contesta.

Vai, contudo, adiando.

Pensam que lhes basta apenas cinco minutos antes de morrer. Imaginam uma salvação de última hora, em lugar de desejarem viver salvos e fruírem a comunhão com Deus.

João Baptista tinha na sua mensagem uma saliência especial para o arrependimento.

A Bíblia revela que Deus dá tempo para nos arrependermos (Apocalipse 2:21).

Para muitas pessoas, todavia, será tarde demais o seu arrependimento.

Lemos acerca de Esaú, o qual desprezou as coisas de Deus.

O que ele mais desejava era o estômago cheio e vida alegre.

Mais tarde acordou para o erro.

Está escrito na Bíblia que ele procurou a bênção de Deus, mas não achou lugar de arrependimento, isto é arrependeu-se tarde demais (Hebreus 12:17).

A Escritura Sagrada diz que Deus anuncia agora a todos os homens e em todo o lugar que se arrependam.

O arrependimento depois da morte não tem perdão.

Precisamos arrepender-nos agora não só do mal que fizemos, como do bem que deixamos de fazer.

O arrependimento verdadeiro começa na humilhação e termina na reforma de vida.



4 – ALGUM DIA SERÁ TARDE DEMAIS PARA CONTRIBUIR EM PROL DA OBRA DE DEUS.



A Obra que Deus entregou à Sua Igreja requer tempo, vidas, talentos, dinheiro.

A Igreja no seu conjunto faz a obra da evangelização, edificação, exortação, santificação, adoração, etc.

Todos os crentes devem sentir-se chamados e responsáveis.

Muitos, porém, são vagarosos no cuidado e até contradizentes.

Tudo quanto fazem, fazem-no contrariados, de maneira relaxada e murmurando.

Há crentes com mãos abertas para receber, mas bem fechadas para oferecer.

A contribuição na Igreja deverá ser feita por cada um, conforme aquilo que Deus nos deu.

Enquanto uns estão a dar acima do que podem (II Coríntios 8:3), outros ficam para o fim esperando não ser necessária a sua contribuição.

Há um exemplo que devemos considerar: Quando Israel levantava o Tabernáculo, todos foram chamados a contribuir.

Alguns adiaram a sua comparticipação, até que a certa altura Moisés teve de proibir que trouxessem mais ofertas visto já não serem necessárias! (Êxodo 36:5-6).

No dia da inauguração muitos sentiram-se envergonhados e interiormente condenados, porque a sua oferta chegou tarde demais.

Paulo exorta a fazermos o bem enquanto temos tempo (Gálatas 6.10).



5 – ALGUM DIA SERÁ TARDE DEMAIS QUANTO À PREPARAÇÃO PARA A VINDA DE JESUS.



Lemos na Bíblia sobre a parábola das Dez Virgens, que só entraram nas Bodas as que estavam preparadas (Mateus 25.10).

As outras foram preparar-se tarde demais.

As virgens tiveram tempo para tudo, até para conversarem e dormirem.

Uma parte descuidou-se. Elas não eram ignorantes; sabiam como deviam esperar o Noivo, tal como as outras, mas facilitaram.

As virgens da parábola talvez eram mesmo atrevidas, e quiseram esperar o Noivo de forma revolucionária.

Criticaram possivelmente as outras, como conservadoras dos princípios antigos.

Quando acordaram era noite.

O Noivo chegara.

Têm lâmpada, contudo não possuem azeite para a encher.

Correram a comprar azeite.

Pagaram quanto lhe pediram, e não regatearam.

Correram estrada fora em direcção ao lugar da Boda, mas a porta estava fechada.

Prepararam-se tarde demais!

Termino este artigo com as exortações oportunas da Bíblia Sagrada: “Lembra-te do teu Criador, antes que venham os maus dias” (Eclesiastes 12:1).

“Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz” (João 12:36).

“É já hora de despertar-mos do sono, porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé” (Romanos 13:11).

“Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo; porquanto os dias são maus” (Efésios 5:15-16).

Jesus sempre dizia, hoje e não amanhã.

“Hoje me convém entrar em tua casa”, disse o Senhor a Zaqueu.

“Hoje estarás comigo no Paraíso” disse ao malfeitor arrependido.

Amigo, volte-se hoje com seriedade para as coisas espirituais antes que seja tarde demais!



(M. Moutinho /Fevereiro 1994)

As Sete Cartas Apocalípticas






Quando se estuda o Livro de Apocalipse apercebemo-nos de imediato estar o mesmo divido em três distintas secções (Apocalipse 1:19) a saber:



I: AS COISAS QUE TENS VISTO

II: AS COISAS QUE SÃO

III: AS COISAS QUE HÃO-DE ACONTECER



O capítulo Um trata das «coisas que tens visto». Ele inclui a visão que João teve em Patmos, da maravilhosa Pessoa do Senhor Jesus Cristo e a ordem que d’Ele recebeu para escrever tudo o que depois vem no Livro.

Os capítulos dois e três tratam das «coisas que são». Encerram uma perfeita descrição do estado espiritual das Sete Igrejas, como Jesus as vê e as respectivas Cartas que lhes são endereçadas.

O restante Livro (capítulos 4 a 22) trata das «coisas que hão-de acontecer» ou propriamente a parte profética do Livro.

É nosso propósito ocuparmo-nos, apenas, embora sucintamente, da segunda secção, as «coisas que são», incluídas nos capítulos dois e três. É nesta secção que se encontram as Sete Cartas às Igrejas da Ásia Menor, a província romana que compreendia apenas a parte ocidental do que hoje se conhece pelo nome de Ásia Menor, tendo como capital a cidade de Éfeso.

Ao estudarmos a condição destas Sete Igrejas, vistas por Aquele que «tem olhos como chama de fogo», devemos rogar a Deus que nos permita ter o entendimento aberto, a fim de nos apercebermos do seu estado espiritual, tal como o Senhor as descreve, e procurar colocar-nos, não apenas como igrejas mas ainda como indivíduos naquela situação em que d’Ele possamos receber perfeito louvor e completa aprovação.

Ao examinarmos o conteúdo das Cartas apocalípticas, adoptamos o parecer de muitos expositores que entendem fornecerem as mesmas um esboço profético da condição da Igreja até à Segunda Vinda do Senhor Jesus Cristo.

Um dos motivos para aceitarmos que as Cartas são de conteúdo e valor profético, é o facto que em cada uma delas se chama a nossa atenção para as «coisas que o Espírito diz às igrejas»; não apenas à Igreja a quem a Carta é endereçada, não apenas às Sete Igrejas às quais as Cartas são dirigidas, havendo, como se sabe, outras igrejas na Ásia Menor; mas as mesmas dirigem-se no seu conteúdo, na sua exortação, no seu louvor, na sua repreensão e encorajamento à Igreja através dos séculos.

Esta nossa conclusão baseia-se igualmente no facto de que as quatro últimas Cartas falam todas do Advento do Senhor, dando nisto a entender que estes quatro aspectos da Igreja, em algum sentido mais ou menos reconhecido, hão-de permanecer até à Vinda de Jesus.

Deve-se ainda acrescentar que o número 7 é mencionado 55 vezes no Apocalipse. E com sobeja razão se pode afirmar que a estrutura básica do Livro é constituída por quatro setes, respectivamente:

1- AS SETE IGREJAS

2- OS SETE SELOS

3- AS SETE TROMBETAS

4- AS SETE TAÇAS

Fazendo um exame das sete Cartas conclui-se que o Senhor as endereça aos «anjos» ou mensageiros dessas igrejas. Não os sita pelo nome, de onde se poderia inferir que a eles somente eram dirigidas, quando em verdade as Cartas são de interesse geral e para todos os tempos. O que cabe agora a cada «anjo» é identificar-se com a Carta que lhe corresponde.

Não aceitamos que os mensageiros das igrejas sejam propriamente anjos, – e assim, colocamo-nos ao lado da maioria dos comentadores, que são unânimes em afirmar tratar-se, antes, dos pastores das respectivas Igrejas. Entre os dons que Cristo exaltado atribui à Sua Igreja incluem-se os «pastores», que juntamente com os restantes ministérios contribuem para o «aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do Corpo (Igreja) de Cristo» (Efésios 4:11,12).

E em Hebreus 13:17 lê-se que os pastores são responsáveis e têm de prestar contas a Deus de cada alma colocada sob o seu cuidado.

Ora, se o Senhor tem colocado os pastores nas igrejas (um dos mais difíceis ministérios!) «para a obra do ministério e para o aperfeiçoamento dos santos», é óbvio que a eles Se dirija, a fim de louvá-los pela sua fidelidade, animá-los nas provações, chamar a sua atenção sempre que é necessário, incriminá-los pelo seu descuido da doutrina e quantas vezes da disciplina, assim como exortá-los quanto à realização da obra evangelizadora e missionária.

Dizíamos ser este um dos ministérios mais difíceis; e, a julgar pelo que se lê acerca de Aarão e de Cristo em Hebreus 5:4,5, «ninguém deve tomar para si esta honra, senão aquele que é chamado por Deus».

Para tal ministério requer-se muita sabedoria, conhecimento e inteligência espiritual, a fim de se poder apascentar devidamente o rebanho, enquanto que, por outro lado se deve lutar denodadamente para se poder «apresentar todo o homem perfeito em Jesus Cristo». (Colossenses 1:25,28,29; 2:1-3). Em face disto é de pasmar que possa alguém ter a veleidade de desprezar esta sabedoria. Parece estar actualmente em voga dizer-se que esta sabedoria para o desempenho do oficio pastoral apenas nos primeiros tempos se requeria…Não teremos em tais pessoas os mencionados «desordeiros, faladores vãos e enganadores, mentirosos, bestas ruins, ventres preguiçosos», aos quais Paulo diz que «convém tapar a boca»? (Tito 1:10-13)

Tais obreiros devem ser substituídos ou severamente repreendidos, para se tornarem sãos na fé, declara o Apóstolo. (Tito 1:13)

Voltando aos mensageiros das Sete Igrejas, podemos notar que o facto das Cartas lhes serem particularmente dirigidas não significa que as mesmas sejam pessoais.

O Senhor dirige-se às Sete Igrejas (Apocalipse 1:11), e as Cartas reflectem as condições das mesmas igrejas como instituições locais.

Quando se examina o capítulo primeiro, verificamos como nele o Filho do homem Se revela na plenitude das Suas funções como Senhor das igrejas. Os diferentes aspectos da visão vêm a ser como credenciais que Jesus exibe em cada uma das Sete Cartas.

Exemplificando:

Dirigindo-se à igreja de Éfeso, que havia perdido o primeiro amor, o Senhor apresenta-Se como «Aquele que tem na Sua dextra as sete estrelas» ou sejam os pastores, e que «anda no meio dos sete Castiçais de ouro», as igrejas.

À igreja de Esmirna, que se mantinha fiel no meio da perseguição, Jesus apresenta-Se como «O Primeiro e o Último, o Vencedor da Morte»

À igreja de Pérgamo, que tolerava a idolatria, a heresia, a frivolidade e a imoralidade, Cristo apresenta-Se como «Aquele que tem a espada de dois fios».

À igreja de Tiatira, que permitia uma mulher exercer funções de doutrinadora e atribuições pastorais, ensinando coisas erradas as quais o Senhor designa como «profundezas de satanás», Ele apresenta-Se como «O Filho de Deus, que tem Seus olhos como chama de fogo». À igreja de Sardo, que tinha aparência de viva (talvez pelas suas excentricidades, emocionalismo, barulho descontrolado dos seus cultos, etc) mas estava morta, Jesus apresenta-Se como «O que tem os Sete Espíritos de Deus» (comparar com Isaías 11:2; Apocalipse 4:5), que podem vivificar os mortos e dar-lhes plena perfeição de vida.

À igreja de Filadélfia, Cristo revela-Se como «O que tem a chave de David» para abrir a porta ao evangelismo e à salvação dos perdidos, já que aquela igreja ardia em amor por eles. É a chave (autoridade) d’Aquele que tem todo o poder no Céu e na Terra!

E finalmente, à morna Laodiceia, Cristo diz que é «O Amem, a Testemunha Fiel e Verdadeira», e esse título revela-nos o carácter de Cristo em relação aos seus discípulos: Ele é Fiel e Verdadeiro, os que n’Ele esperam e O seguem, podem confiar plenamente em como o Senhor há-de cumprir Suas firmes promessas.

Tudo o que, em relação às igrejas tem sido dito até este ponto, resume-se no seguinte:

O Senhor ressuscitado e que sabe todas as coisas, aprova o que é bom, condena o mau e exorta à fidelidade.

Uma fraqueza característica das igrejas cristãs reside no facto de se recusarem a permitir qualquer processo de auto purificação. Subsiste, como norma prioritária, a mentalização de lealdade à denominação, aos seus guias, muitas vezes sem a preocupação de se investigar se estão ou não certos no que ensinam. Criticar qualquer mal que exista numa congregação parece equivaler a criticar a própria denominação. Daí que nenhum protesto se levanta, sob disfarce de lealdade à igreja e aos seus ministros.

Mas a Palavra de Deus mostra que nossa lealdade e fidelidade devem ser, acima de tudo, a Cristo e à Sua Palavra. Sempre devemos ter presente que «o Juiz está à porta», e que «o julgamento deve começar pela casa de Deus» (Tiago 5:9; I Pedro 4:17).

Os erros e desvios de uma igreja exigem que sejam criticados. Os males administrativos devem ser desmascarados e corrigidos. Se assim não acontecer, a igreja entrará, mais tarde ou mais cedo, no caminho da apostasia e o seu governo pode vir a tornar-se ditatorial.

Bem sabemos que se alguém tiver a ousadia de levantar a sua voz na igreja contra tais contradições arrisca-se a ser considerado «perturbador».

Acabe dizia que o profeta Elias era «o perturbador de Israel». Mas Elias respondeu: «Eu não tenho perturbado a Israel, mas tu e a casa de teu pai, porque deixas-te os mandamentos do Senhor, e seguis-te aos Baalim». (I Reis 18:17,18).

Os fariseus e sacerdotes contemporâneos de Cristo diziam, no seu libelo acusatório, que Ele perturbava a nação. (Lucas 23:5).

Os Apóstolos foram igualmente considerados perturbadores. Eles haviam voltado o mundo de cabeça para baixo.

Martinho Lutero «perturbou» o sistema e a ordem da Cúria Romana, e João Wesley foi um «provocador» de problemas para a Igreja Anglicana do seu tempo. Sem dúvida alguma que a Igreja dos nossos dias precisa, mais do que nunca de «perturbadores» da ordem estabelecida.

A necessidade urgente da Igreja de Cristo em todos os tempos tem sido a de um processo de saneamento, de purificação. Pois as Sete Cartas às igrejas da Ásia são, a nosso ver, esse mecanismo de depuração. Elas revelam existir uma sucessão de condições, de práticas; e daí a necessidade de um constante reajustamento, de uma identificação com os sãos princípios apontados por Aquele que fala com voz «como se fosse de muitas águas», cujos «olhos são como chama de fogo», e cuja exortação é: «Se alguém tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas».



Estudo

As três áreas da salvação


As três áreas da salvação



A Bíblia Sagrada fala da salvação nestes termos:

“Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação…?” (Hebreus 2:3).

A expressão “tão grande salvação” é algo de admirável, inacreditável, algo que alcança todas as pessoas, seja qual for a sua condição.

A Bíblia diz que Deus não deseja que o homem se perca, mas que venha ao conhecimento da verdade (I Timóteo 2:4).

A salvação devia ser o grande desejo do homem, perguntando como o carcereiro de Filipos: “Que é necessário que eu faça para me salvar?”

Indagando assim, ele receberá resposta idêntica à que o apóstolo Paulo deu: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo”

É uma tragédia descuidar a salvação, descansando em ritos religiosos (sem consultar as Escrituras Sagradas) e depois ficar decepcionado, como o profeta Jeremias refere: “Passou a sega, findou a Verão, e nós não estamos salvos” (Jeremias 8:20).

A salvação é grande porque reúne todas as bênçãos que Deus tem destinado para a pessoa convertida.

Quantos estão a salvar tudo menos a sua alma e a sua vida!

A maioria das pessoas teme o destino do corpo, mas na alma não se pensa.

É no Sangue de Jesus que está a nossa salvação, e na Palavra de Deus a nossa segurança, pois a Bíblia o confirma ajudando-nos a debelar as dúvidas que tantas vezes nos assaltam.

A vida correcta mantém-nos fora da prisão, mas só o Senhor Jesus Cristo mantém-nos fora do Inferno.

Desejo apresentar ao prezado amigo, à luz das Sagradas Escrituras, as três áreas da salvação.



1 – Salvação instantânea.

A salvação instantânea ocorre no momento da conversão, quando nos arrependemos dos nossos pecados e colocamos a nossa fé em Jesus Cristo como único Salvador.

A partir desse momento somos salvos.

Nesse instante acontece a reconciliação entre o pecador e Deus.

O muro de separação, denominado pecado, é destruído.

Cristo declara: “O que ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna” (João 5:24).

Escreveu o apóstolo Paulo: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Romanos 10:13).

O Senhor Jesus disse a Zaqueu quando este Lhe abriu a sua casa e seu coração: “Hoje veio a salvação a esta casa” (Lucas 19:9).

Ao malfeitor arrependido o Senhor afirmou: “Hoje estarás comigo no Paraíso” (Lucas 23:43).

Por isso a Bíblia diz: “Eis aqui agora o dia da salvação” (II Coríntios 6:2).

Assim o crente pode exclamar alegremente: “Sou salvo!”.

No momento em que recebemos Jesus pela fé, somos feitos filhos de Deus (João 1:12).

Todos quantos tiverem essa experiência vivem salvos pela fé em Cristo.



2 – Salvação contínua.

A Bíblia afirma que o Jesus que livrou, livrará ainda (II Coríntios 1:10).

Somos exortados a operar a nossa salvação (Filipenses 2:12), isto é, a provar a salvação através de frutos ou obras.

Se antes fomos salvos da condenação do pecado, pela fé, agora estamos a ser salvos do poder do pecado nas nossas vidas.

Há coisas que acompanham a salvação, e a isso chama-se santificação ou novidade de vida.

A salvação instantânea conduz o homem para uma vida que agrada a Deus.

Necessitamos ser salvos da força e poder desta geração perversa.

Continuando na carne, e rodeados de fraqueza, precisamos que o Salvador nos mantenha na Sua salvação.

Só no poder que vem da Palavra de Deus e do Espírito Santo podemos resistir aos vícios e paixões que estão arreigados nos nossos membros.

Por esse facto damos graças a Deus por Ele nos ter eleito “para a salvação em santificação do Espírito, e fé da verdade” (II Tessalonicenses 2:13).

É essa área da salvação que causa admiração nos amigos e familiares, os quais “acham estranho não corrermos com eles no mesmo desenfreamento de dissolução, blasfemando de nós” (I Pedro 4:3-4).

Depois do convite para as Bodas existe uma veste para se entrar nessa festa.



3 – Salvação futura.

Pedro diz que alcançaremos o fim da nossa fé, a salvação das almas (I Pedro 1:9).

Paulo afirma que em esperança somos salvos (Romanos 8:24).

A nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé (Romanos 3:11).

Justificados pela fé no sangue de Jesus, seremos por Ele salvos da ira (Romanos 5:9).

Jesus aparecerá segunda vez aos que O esperam para salvação (Hebreus 9:28).

Todos os textos bíblicos mencionados confirmam uma salvação ainda futura.

A isso chama-se o clímax da salvação.

Esta salvação futura refere-se à Vinda de Jesus em glória para tirar os crentes vivos deste mundo antes que se inicie o terrível período da GRANDE TRIBULAÇÃO (Apocalipse 3:10).

Também significa a glorificação do nosso corpo que, ressuscitado do pó, unir-se-á à nossa alma.

Então, como afirma o apóstolo João, quando Jesus se manifestar seremos semelhantes a Ele; porque assim como é O veremos (I João 3:2).

Pela morte vamos estar, sem corpo, com o Senhor (II Coríntios 5:8).

Mas no dia da salvação completa receberemos o corpo glorificado (II Coríntios 4:14).

Nesse momento seremos revestidos da nossa habitação que é do Céu (II Coríntios 5:2).

Termino o artigo com umas palavras da Epístola aos Filipenses 3:20-21: “A nossa cidade está nos Céus, donde esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o Seu corpo glorioso”.

A isso chamamos salvação completa ou glorificação.

O prezado amigo deverá começar pela salvação, agora mediante a fé; depois a salvação em santificação no meio desta geração corrompida e perversa; finalmente a salvação gloriosa consumada na presença de Deus.



(Pastor M. Moutinho /Abril 1995)

Culto doméstico






Escreveu certo crente:”Quando eu era capelão na penitenciária de Arkansas, dos 1700 criminosos presos, só um fora criado num lar onde havia culto doméstico. Eu soube depois de ele ter sido libertado porque provaram a sua inocência.”

Podemos seguir de novo o caminho das viagens de Abraão, pelos altares que levantou onde parava, durante as suas peregrinações.

“E edificou ali um altar ao Senhor, e invocou o nome do Senhor” (Génesis 12:7-8).

Qual o segredo de Abraão, quase o único filho de Deus em toda a Terra, a resistir ao mundanismo e alcançar o título de pai dos fiéis? (Romanos 4:11-16).

A resposta é: o altar familiar, ele em todo o lugar, invocava o nome de Deus com todos os que habitavam a sua casa (Génesis 18:19).

E desde o tempo de Abraão, os mais fiéis da Igreja de Cristo testificam da mesma necessidade de iniciar o dia com o culto doméstico.

Um dos mais conhecidos pregadores na história da Inglaterra foi Ricardo Baxter. Quando ainda jovem foi chamado a pastorear uma grande igreja, cujos membros eram ricos e instruídos.

Achou-os frios e carnais, e por isso ficou desapontado e desanimado.

O jovem pregador dizia: “O único meio de salvar a igreja, a restante cidade e estabelecer a religião nos lares em redor, é levantar o altar familiar.”

Passou três anos trabalhando, visitando casas, disposto a estabelecer o culto doméstico em todos os lares. Conseguiu isto até um grau admirável, e o ambiente nos lares foi a base do movimento que encheu a igreja de ouvintes e iniciou o glorioso ministério da sua vida.

Baxter provou que, para a igreja, o altar familiar nos lares dos membros é indispensável.

Havia dezanove filhos na família Wesley, mas nunca se achavam demasiadamente ocupados a ponto de não realizarem o culto doméstico.

Gozavam de tão grandes bênçãos nessas ocasiões em ler a Bíblia e orar que, às vezes até com vizinhos se congregavam nas divisões da humilde casa para se ajoelharem com a família perante o trono de Deus.

Eram horas perdidas?

Não, eram os alicerces do avivamento mundial que acompanhou o ministério de João Carlos Wesley.

Desejo enumerar aqui algumas vantagens que a família goza, se, em espírito e verdade, fizer o culto doméstico todos os dias:



1 – Não há coisa que faça um ambiente tão doce, e que enriqueça tanto a comunhão entre membros da família no lar, como o culto doméstico.



2 – Evita as desavenças e endireita toda a desunião do lar.



3 – Leva os filhos a perseverar em seguir após Cristo, e determina o seu bem-estar eterno.



4 – Prepara-nos para render melhor serviço e glorificar a Deus no trabalho diário, na escola, em casa, no escritório, no comércio ou na fábrica.



5 – Dá-nos força para enfrentar, com coragem, todos os problemas e tentações durante o dia.



6 – Faz-nos passar o dia lembrando a presença do Divino Amigo e Ajudador.



7 – Consagra a amizade com os hóspedes em nossa casa.



8 – Aumenta a influência e a obra da Igreja no Mundo inteiro.



9 – Incentiva outros lares a concederem também um lugar para Cristo.



10 – Honra ao Pai celestial e manifesta a nossa gratidão por Sua misericórdia e bênção.



O segredo do culto doméstico está em que seja dirigido por alguém que já passou algum tempo, nesse mesmo dia, em íntima comunhão com Deus, na leitura da Sua Palavra e em oração, e que tem o alvo de levar todos os membros da família a procederem da mesma forma.

Ninguém pode desculpar-se alegando não haver tempo, porque depois de ter o Senhor ao lado, poderá fazer em poucos minutos, muito mais do que toda a vida sem Ele.

E, certamente, todos podem achar tempo para aquilo que é essencial à salvação e segurança de todos os membros da família.

Conta um biógrafo de Abraão Lincoln como ele fez o seu discurso inaugural.

A tempestade da Guerra Civil estava para desencadear-se sobre os Estados Unidos e não havia meio de evitá-la. A Câmara do Senado estava superlotada. O cadáver de um dos seus filhos jazia na Casa Branca, e o outro estava às portas da morte. O país encontrava-se perante a maior crise da sua história.

Lincoln, contudo, levantou-se e falou com tal clareza, calma e coragem que os homens e mulheres se sentiram como se estivessem presenciando um milagre.

Não sabiam que Abraão Lincoln, antes de sair do seu lar, lera a Bíblia, e no quarto escuro fizera culto doméstico como de costume. Depois no silêncio do seu quarto, caiu de joelhos e rogou Àquele cuja mão sustém o Mundo, que o sustentasse, e guiasse a nação!

Atentemos pois para este maravilhoso exemplo.

Sigamos também com o mesmo propósito.

Que este testemunho real possa abrir o nosso entendimento para que possamos fazer o nosso dever e a nossa parte, e não estar sempre a espera que Deus faça tudo.

Deus opera mas, também espera que tu faças a tua parte!

Se assim fizeres Deus te irá abençoar grandemente!

Que teus passos sejam a cada dia guiados por Aquele que é a Rocha Eterna, Castelo forte, Esconderijo do Altíssimo e nosso Amado Salvador!

Na Paz de Cristo.

E os outros?


E os outros?



O baptismo no Espírito Santo traz bênçãos gloriosas, como por exemplo poder ou virtudes, (Lucas 24:49).

Não apenas, como muitos pensam, poder para efectuar curas milagres, mas fundamentalmente para testificar de Jesus, perdoar as fraquezas dos nossos inimigos, amar, sofrer a tribulação, poder para frutificar, etc.

Que diferença observamos nos crentes antes e depois do baptismo no Espírito Santo! Já não os vemos fugido, espalhados, tímidos, mas juntos, alegres, corajosos, falando bem alto do que experimentaram.

Há um texto nas Escrituras Sagradas para o qual solicito a especial atenção ao crente. No mesmo, o apóstolo Paulo declara ter Jesus sido visto certa ocasião, após ressuscitar dos mortos, por mais de quinhentos irmãos, (I Coríntios 15:6).

Sendo assim, e sabendo que apenas uns cento e vinte receberam o baptismo no Espírito Santo, no dia de Pentecostes, onde estavam ou por que não receberam a mesma bênção os restantes trezentos e oitenta?

É possível que tenham sido baptizados no Espírito mais tarde, mas porque não logo?

Aqueles cristãos fazem-me pensar num grupo bastante numeroso de crentes que enche as nossas casas de oração, sem possuir experiência pentecostal.

Terá Deus feito distinção entre os cento e vinte e os trezentos e oitenta?

Claro que não. Ninguém poderá atribuir as culpas a Deus por esse facto, ainda que muitos o façam de modo indirecto quando se justificam: - o Senhor entende que ainda não sou perfeito, não tenho o grau de fé necessário, não consigo resistir a algumas fraquezas, etc.

Os referidos crentes esquecem que o baptismo no Espírito Santo é, como a salvação, um dom (Actos 2:38) e não um prémio concedido em troca de algum serviço.

Via de regra são precisas duas coisas antes que a pessoa receba a plenitude do Espírito. Como está escrito: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja baptizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (Actos 2:38).

O Deus soberano pode mudar as coisas, como em casa de Cornélio, no entanto o princípio bíblico é este, ao qual não podemos fugir.

Se alguém não se arrependeu verdadeiramente ou se se descuida em obedecer ao mandamento do baptismo nas águas não pode receber o baptismo do espírito.

Outros talvez ainda não o tenham recebido porque o seu pastor, à semelhança de Apolo, apesar de bom pregador, eloquente e culto, não crê na actualidade desta promessa. Desta forma, suas igrejas estão cheias de bons cristãos, mas sem fogo do Espírito, como os crentes em Éfeso, (Actos 19: 1-3).

Outros ainda, por recearem ficar demasiado excitados e descontrolados, resolvem não buscar a plenitude do Espírito. Tais pessoas ignoram que esses ocasionais excessos não provêm do Espírito, mas do próprio individuo que reage mais ou menos emocionalmente ao receber tal bênção, pois o Espírito Santo é o Espírito de sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, conhecimento e temor do Senhor. (Isaías 11:2)

Vejamos as quatro possíveis razões porque aqueles crentes não receberam a promessa do Pai: (Actos 1:4).



1- Não se encontravam com os restantes: Faltaram ao culto (no cenáculo alto), e o divino Paracleto não foi procura-los nas suas casas ou ocupações. Tomé por exemplo duvidou da ressurreição de Cristo por não haver estado presente. Como pretende o crente ser baptizado no Espírito Santo se falta tanto aos cultos de oração?

2- Estavam ocupados noutras coisas: Sabiam que os cultos se realizavam, cada dia, até receberem a promessa, todavia deram prioridade a outras coisas. “Depois irei”, comentaram consigo mesmos. Muitos, como Marta, achavam-se afadigados com questões de somenos, que podiam ser tratadas mais tarde, mas a que certos cristãos atribuem mais importância. Uma loja por abrir, um enxoval por acabar, uns trabalhos para ultimar, enfim, mil coisas que impedem a assistência ao culto de oração.

3- Não perseveram. Foram dez dias consecutivos de cultos de oração perseverante. Creio que os ditos crentes estiveram em algumas reuniões, esperando o cumprimento da promessa de Jesus no primeiro ou segundo dia. Pensaram que tardava, e não aguardaram mais. Perderam a esperança. Deixaram de assistir aos cultos seguintes. Quando souberam do sucedido, certamente choraram por não haverem perseverado. Em cultos de avivamento espiritual, temos assistido a casos semelhantes; irmãos que não aguentam uma semana inteira desses cultos, e não voltam. Que o crente não se esqueça do ensino de Jesus, nos casos da viúva da parábola e de Elias no monte Carmelo. Permaneça orando, pedindo, buscando.

4- Não apreciaram devidamente a promessa. É possível que muitos desses cristãos tenham pensado ser desnecessário o baptismo no Espírito Santo. Isso era assunto mais próprio para pregadores, pastores e outros irmãos que executam determinados trabalhos na igreja… Será o leitor crente uma pessoa deste cariz? Cada cristão carece deste baptismo. Ele é para nós, para nossos filhos, para os que estão longe; para tantos quantos Deus nosso Senhor chamar, (Actos 2:39). Qualquer tarefa, espiritual ou secular, será muito melhor executada se estivermos cheios do Espírito Santo. Seremos melhores pais ou filhos, se possuirmos essa experiência. A vontade de Deus é que todos sejam cheios do Espírito Santo.





(Pastor Manuel Moutinho/ Junho 1975)

Ela veio...


Ela veio



Ela veio… É o que lemos no Evangelho segundo S. Marcos 5:24-34 acerca de determinada mulher, cujo nome ignoramos, possuidora de certos recursos, mas que presentemente nada tinha, pois tudo havia vendido para fazer face às despesas com médicos e remédios.

Uma doença de doze anos levou-lhe tudo, até a esperança, já que a medicina lhe tinha dado a última palavra. Não há cura.

Restava-lhe a morte que se avizinhava, lentamente, com o perder de sangue, pois dum fluxo que corria ininterruptamente.

Nessa altura difícil da sua vida ouviu falar de Jesus.

E como nos momentos críticos damos ouvidos a tudo o que nos dizem com o alvo de encontrar um remédio, ela escutou, sem perder uma palavra, os testemunhos de pessoas curadas pelo Nazareno ou por quem assistira a algum milagre.

Esse ouvir produziu fé e esperança de que seria sarada.

Precisava apenas ir ter com Ele.

Não tem dinheiro já, todavia o Médico divino não recebe nada pelos benefícios que concede.

Não tem pessoas amigas conhecidas de Cristo a modo de a intercederem por ela, mas ouviu dizer que Ele recebe qualquer indivíduo.

Tudo era movido no seu interior, até que ela viu a cura pela fé, e disse: “Se tão-somente tocar nos Seus vestidos, sararei”

E num momento, embora fraca, anémica, decide procurar o Senhor.

Encontrou-O logo, mas estava rodeado por uma grande multidão de curiosos, bem como de fiéis discípulos.

A fé dela era viva, por isso não desanima.

Não necessita que Ele ore em seu favor, que lhe toque ou dirija uma única palavra.

Precisa apenas tocar-lhe, e isso basta.

E vencendo todas as barreiras aproxima-se até tocar na vestimenta do eterno Filho de Deus, sentindo imediatamente secar a fonte do seu sangue.

E – “espectáculo a que gostaria ter assistido” – a mulher ajoelhada aos pés do divino Mestre, confessa diante de todos o milagre que acabar de experimentar. Aleluia!

Tudo isto aconteceu porque ela veio.

Não ficou apenas com vontade ou com a intenção de ir algum dia.

Não planeou somente: ela veio.

Por esse facto foi curada e salva, indo para sua casa falar a outros do poder de Cristo.

Isto não diz nada ao amigo que está lendo?

Não será que alguém que lê estas linhas esteja a fazendo planos para aceitar Jesus e seguir o Seu Evangelho?

Não estará o seu coração tocado pelo testemunho dum crente vizinho, companheiro e amigo, e não será até que alguém mesmo sem haver recebido um convite, já decidiu ir escutar a pregação do Evangelho?

Reconhece que lhe faz falta paz, alegria, esperança, libertação espiritual do medo, cura física, perdão e certeza da vida eterna, mas… anda não realizou esses desejos e planos.

Tanto sente a vontade de ir, como desanima e esquece-se!

Rogo-lhe agora que se ajoelhe diante de Jesus e confesse-lhe o seu pecado e as suas necessidades.

Procure uma Casa de Oração e assista ao próximo culto.

O filho pródigo da parábola dizia para si mesmo lá no campo aonde guardava os porcos: “Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai”.

Felizmente que não ficou por aí, antes lemos: “E levantando-se, foi para seu pai”.

Se alguma coisa ele pensou a respeito desta sua decisão foi que já há muito a devia ter tomado.

Milhares de pessoas, na eternidade lamentam não haverem levado a cabo os seus planos acerca de seguir o Senhor.

A vida passa velozmente, pelo que convém ir ter com Jesus depressa.

O adiar endurece o coração, tornando-o insensível à chamada divina.

Que em breve o amigo possa dizer:

“Eu fui a Jesus, e Ele salvou-me”



(Pastor M. Moutinho / Fevereiro 1973)

Esquecer o que deve lembrar-se


Esquecer o que deve lembrar-se



A nossa memória faz parte das coisas prodigiosas que o Criador nos dotou.

Mediante ela recordamos o passado e os compromissos tomados, bons ou maus.

Verificamos porém, que nem sempre usamos sabiamente a memória, esquecendo-nos de coisas importantes que deveríamos lembrar.

Apreciemos então três dessas coisas que olvidamos, mas que deveríamos lembrar seriamente.



1-Esquecemos que temos de morrer. As pessoas procedem como se vivessem para sempre.

Esquecem que a morte está ligada à vida, sendo ambas inseparáveis.

David vivia com a convicção que da vida à morte nos separa apenas um passo (I Samuel 20:3).

A maioria das pessoas é dominada por um sentimento de a morte ser algo que só acontece na velhice.

Contudo, a primeira sepultura aberta na terra não se destinou a um idosos, e sim a um jovem de nome Abel.

Declara a Escritura Sagrada que aos homens está ordenado morrer uma vez (Hebreus 9:27), por isso todos morreremos.

De resto, o salário do pecado é a morte (Romanos 6:23).

Logo que o ser humano nasce, começa sua marcha para a morte.

Porém, a maioria das pessoas não deseja falar sobre o assunto. Sendo a morte a maior realidade da nossa existência, é lamentavelmente a mais descuidada.

A morte é, digamos, o porteiro que abre a porta da eternidade. Para a pessoa salva, convertida a Cristo, a mesma é a entrada para o porto da salvação; para o perdido, todavia, a morte é, espiritualmente falando, um terrível naufrágio.

A Bíblia exorta que, enquanto temos luz (ou vida), devemos crer na luz (João 12:36).

A maior tragédia não é morrer fisicamente, mas morrer nos nossos pecados (João 8:21).





2 – Esquecemos que temos de prestar contas a Deus. Lê-se na Bíblia: “…aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo” (Hebreus 9:27).

A Terra onde nascemos e vivemos tem Dono.

O Senhor do Universo pede contas a todas as pessoas pelo tipo de vida que escolhem viver.

O Criador pede contas do que passou (Eclesiastes 3:15 / 11:9).

Somos livres para viver como queremos, contudo teremos de prestar contas disso.

Deus tem “determinado um dia em que com justiça há-de julgar o mundo” (Atos 17:31). Por isso Ele “anuncia agora a todos os homens, em todo o lugar, que se arrependam” (Atos 17:30) dos seus pecados.

A Palavra de Deus fala de juízo, tribunal, sentença e condenação eterna.

Anuncia também uma salvação completa e eterna que a criatura humana poderá receber mediante Jesus Cristo: “…Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus O ressuscitou dos mortos, serás salvo.” (Romanos 10:9).

Jesus veio chamar os pecadores ao arrependimento e isso terá de acontecer antes da nossa morte.

Para satanás é agradável que não penses neste assunto, pois ele exerce sua maléfica actividade com o alvo de nos conduzir à perdição eterna reservada para aqueles que se esquecem de Deus e são desobedientes ao evangelho (Salmo 9:17 / II Tessalonicenses 1:8).



3 – Esquecemos que o Tempo é curto. “Este mundo são dois dias”, é uma expressão popular que deverá acordar-nos para essa realidade.

A vida “passa rapidamente e nós voamos” (Salmo 90:10) é o aviso da Palavra do Senhor.

A exortação divina dada ao rei Ezequias tem aplicação geral para todos nós: “Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás” (Isaías 38:1).

Devemos munir-nos urgentemente do passaporte da salvação a fim de passarmos a fronteira da eternidade.

O crente não receia a morte, mas o pecado.

O perdido não teme o pecado, mas tem medo da morte.

Como o homem rico da parábola de Jesus, as pessoas só pensam em comer e vestir bem, e gozar muito.

De repente deixam esta vida e abrem os olhos nas trevas e no sofrimento, quando já não há oportunidade de receberem a salvação.

Na hora da morte não conta o que temos e sabemos, porém se somos salvos e perdoados pelo Senhor Jesus Cristo, o Salvador deste mundo.

Devemos prepara-nos a tempo antes de fazermos a maior viagem da nossa existência.

Amanhã não é o dia que devemos marcar para nos reconciliar com Deus, mas hoje e agora.

É pois urgente viver-se salvo para se morrer salvo, de modo a ser-se recebido por Cristo na Glória, no Céu!



(Pastor: M. Moutinho / Novembro 2002)

É proibido pescar


É proibido pescar


Como se sabe o mar está dividido em áreas que se destinam a reservar a cada país uma zona para uso exclusivo dos respectivos pescadores.

Essa medida é acordada em reuniões internacionais.

Por esse motivo, os barcos estrangeiros que forem encontrados sem licença, a pescar nesse espaço, são aprisionados, sujeitos a julgamento e a pesadas multas.

Não obstante tais leis conhecidas e aceitas mundialmente, estamos de vez em quando a ouvir falar de transgressões a essas leis.

Claro que não pretendo escrever acerca de assuntos marítimos e piscatórios, mas valer-me desse exemplo para transmitir um recado que considero necessário para descanso espiritual do amigo.

De início reproduzo o texto bíblico de Miquéias 7:19, o qual diz que o Senhor “subjugará as nossas iniquidades, e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar”.

É sobejamente conhecido haver lugares profundíssimos, no mar, onde o homem não consegue chegar mesmo com os meios técnicos aperfeiçoadíssimos de que dispõe.

Deus emprega essa figura para que as pessoas a quem perdoa os pecados encontrem descanso absoluto quanto a essas fraquezas.

Não é um adiamento que o Criador dá, ao homem, de um castigo que acabará por vir mais tarde, mas um perdão total e completo. Aleluia!

Pecado que Deus perdoa é assunto resolvido de uma vez para sempre, necessitando apenas de preocupar-se com as fraquezas de cada dia.

O homem jamais responderá por iniquidade que confessou ao Senhor, e que abandonou, recebendo a Sua misericórdia (Provérbios 28:13).

Que consolo tem esta mensagem para o pecador que sente angustia pelas suas fraquezas!

O Senhor não manda um ministro cristão nem um anjo lançar esses pecados nas profundezas do mar, podendo reter alguns. Semelhante tarefa pertence a Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Naturalmente o amigo já compreendeu tratar-se de uma mensagem figurativa, comparativa e não literal.

Mas tal como seria impossível ir buscar esses pecados a um abismo sem fundo, o homem salvo jamais se defrontará com os seus erros, pois “agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus (Romanos 8:1).

É como se Deus dissesse: “Estas profundezas são as Minhas águas. São área onde outros não podem pescar”.

Ele colocou nesse lugar o aviso: “É PROIBIDO PESCAR!”

Quem o tentar está sujeito ao julgamento.

Infelizmente procura-se fazer flutuar o que Deus lançou no fundo.

Teimosos mergulhadores, com submarinos oferecidos por forças diabólicas, esforçam-se por trazer à superfície pecados de outras pessoas ou mesmo seus.

Por esse facto lágrimas de angústia tornam-se frequentes.

Claro que esses mergulhadores só conseguem trazer semelhantes faltas aos olhos humanos, pois Deus prometeu nunca mais lembrar-se delas (Isaías 43:25 / 44:22).

Satanás esforça-se por pescar nesse mar profundo.

O arqui-inimigo das nossas almas conhece as proibições de Deus, porém não as respeita.

Se ele encontra fraqueza no presente para acusar o homem, aproveita-se de imediato; caso contrário mergulha para nos afligir com o passado.

Conta-se que satanás se apresentou em visão, Martinho Lutero, quando este estava próximo da morte, mostrando-lhe uma longa e triste lista de pecados que cometera desde a infância.

Seu alvo era desmoraliza-lo e roubar-lhe a esperança de partir para junto de Deus.

Respondeu o reformador alemão: “Isso é tudo verdade, mas o sangue de Jesus Cristo me purifica de todo o pecado”. Diante de tal firmeza o inimigo desapareceu.

No livro bíblico de Zacarias (cap.3), o mesmo adversário acusa Josué, porém ficou envergonhado quando Deus o repreendeu, e perante os seus olhos trajou o Seu servo Josué de vestidos limpos, símbolo de purificação e perdão.

O único pecado que deve afligir o crente é aquele que não foi confessado ao Senhor Jesus.

Ouvi a história de um criado duma casa rica que obrigava o filho do patrão a executar as tarefas pesadas e sujas. Isto porque ele vira o rapazinho matar, por brincadeira, um pato de muita estimação, e prometera encobri-lo.

Para não ser descoberto, a criança tornara-se praticamente escrava do criado.

Cansado de tanto servir, resolveu ir ter com o seu pai, a quem confessou que matara o pato. Recebeu perdão completo e o conselho para não voltar a mentir.

No dia seguinte o criado mandou o rapazinho cortar lenha, e como este recusasse foi raivosamente acusá-lo ao pai.

Ouviu como resposta: “Ele já me confessou e eu perdoei-lhe”.

Retirou-se envergonhado e vencido.

Perdera um escravo.

Amigo, deixe de ser escravo do seu pecado. Imite o rapazinho da história.

Qualquer que seja o seu pecado liberte-se do jugo de satanás!

Pessoas tentar pescar nesse mar.

Há quem possua o vício de viver no lixo, como os cães vadios, à procura de algo para prejudicar a vida do semelhante.

Fazem-no movidos de inveja, ressentimento ou vingança.

Coisas muito velhas andam às vezes de boca em boca como se fossem praticadas na véspera.

Por isso encontram-se pessoas envergonhadas e tristes, e difíceis de serem recuperadas. Deus tratará de tais prevaricadores.

O transgressor pesca nesse mar.

Muitas vezes é o próprio prevaricador que sofre porque recusa esquecer as suas faltas. Passa os dias entregue à recordação de pecados antigos.

Mas se satanás está interessado nisso para nos fazer sofrer, e que outros pratiquem esquecidos de que seus erros (que não sendo propriamente iguais podem ser bem piores e condenáveis), ainda se toleram, mas que seja o próprio a cometer essa loucura contra si mesmo é inadmissível.

Os filhos do patriarca Jacob viveram anos de angústia porque duvidaram do perdão de José, seu irmão.

Admitiram que o perdão dele era fictício, e logo que o pai morresse seriam chamados a contas.

Afinal isso nunca estivera nos planos de José, que perdoara e esquecera.

Esqueça os pecados da sua mocidade.

Volte-se para Deus, pois Ele perdoa e esquece. S. Paulo passaria a vida triste se estivesse a recordar o que praticara conta Jesus e os crentes.

O Apóstolo, todavia, escreve na sua epístola aos Coríntios:”As coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo”.

Deixe, os seus pecados confessados e abandonados nas profundezas onde Deus os lançou, e não traga à superfície nem tema aqueles que o fazem.

Creia no perdão de Deus!

(Pastor M. Moutinho /Agosto 1979)

Honrando os pais


Honrando os pais.

Atravessamos uma época de crise, e o ambiente familiar não foge à regra. Novos padrões sociais estão a invadir o mundo e é preciso qua a juventude crente não se deixe arrastar por tais hábitos, mas saiba que isso é sinal dos dias finais, pois assim diz a Escritura: «Nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, preguiçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos.» (II Timóteo 3: 1,2)

Actualmente, grande parte dos filhos encontram-se em casa de amas, colégios ou instituições, estando apenas com os pais um ou dois dias por semana.

A sociedade, no futuro, vai ressentir-se de tal sistema, sendo cada vez mais uma sociedade fria, indiferente e insensível.

No lar, é frequente ver-se a criança correr para a mãe, com a sua carinha de choro, com o beicinho característico, apontando o lugar onde se magoou, para sair de seguida, depois de um beijo e um afago materno. É terna a figura da criança chorando no regaço da mãe ou nos braços do pai. Pouco a pouco o mundo vai perdendo o calor do lar e da família. O lar é o lugar destinado por Deus para a criação e desenvolvimento da criança.

Muitas coisas podem ser ditas em prol dos infantários, colégios, etc. Nessas instituições as crianças perdem certas pieguices originadas pelos mimos por vezes desmedidos e incontrolados dos familiares, mas os bons costumes e o calor humano, recebidos no lar, é mil vezes preferível.

Até ao casamento, o lar é o lugar dos filhos; não poucas vezes, já depois de consorciados, querem continuar no mesmo, pois é difícil abandonar aquela casa de tão grandes recordações.

Um número cada vez maior de jovens solteiros, optando por uma vida independente, alugam um quarto e deixam os progenitores. O jovem crente não deverá trocar o lar pelo café ou qualquer outra coisa do género.

O lar é o lugar onde ele deve receber e transmitir carinho e não apenas comer e dormir.

No lar deve trabalhar, ajudar no que é necessário, e não limitar-se a ler a «Crónica», um romance ou a ouvir música com o gira-discos até à exaustão.

Os pais necessitam fazer tudo para o lar ser atraente e agradável, tal como os pássaros que não só constroem o ninho, como o forram com penas tiradas de si próprios, a fim de torna-lo macio e quentinho para os filhotes que irão nascer.

Lar onde os pais se guerreiam mutuamente e passam tempos sem se falarem, não é o lugar ideal para os filhos.

Temos assistido a cenas tristes, vendo jovens discutindo com os próprios pais. Há pais que têm medo de contrariar os filhos e fazem-lhes todas as vontadinhas, havendo autênticas zaragatas se aqueles os contrariam.

Os jovens crentes não são perfeitos, como os progenitores o não são, mas há coisas que não podem existir num lar cristão.

Sei haver casos em que os filhos têm de estar longe do lar por razões escolares ou profissionais. Mas nessas circunstâncias deverão manter contacto regular com os pais por meio de correspondência, por exemplo, aconselhando-se acerca de determinados problemas.

Vem-nos à lembrança uma crente velhinha que nos cultos de oração, costumava pedir a Deus que tocasse no coração do filho ausente para que o mesmo lhe escrevesse uma cartinha… Sempre tive pena dela.

Quanto devemos a essa mulher a quem chamamos mãe!

O jovem leitor já reflectiu no sofrimento da sua progenitora durante os meses que o trouxe no ventre? Já pensou como o seu corpo ficou deformado nesse período, pés inchado, o andar pesado e vagaroso, o dormir alterado, sujeita a cuidados médicos e até, porventura internamento e operações para que nascesse?

E esse homem a que chama pai, apesar de não haver sofrido fisicamente, compartilhou desses cuidados e aflições, trabalhando com sacrifício para que nada faltasse ao bebé.

E as noites sem dormir com o menino ao colo, porque o mesmo chorava com dores de ouvidos, dentes, etc?

Deus olha para o modo como tratamos os nossos pais. Ele promete prolongar os dias de vida aos que assim fazem. Não deixemos que partam, para depois chorarmos a sua falta.

No término destas linhas relatamos uma história verdadeira que nos comoveu bastante.

Certa mulher viúva e com quatro crianças nos braços, portanto em situação precária. Vendo-se sozinha empregou esforços heróicos para as educar.

Dava lições, costurava e desempenhava toda a espécie de serviços, a fim de ganhar o suficiente para internar os filhos no colégio da cidade distante, de modo a receberem melhor instrução.

Quando todos voltaram definitivamente para casa, terminado o curso, a mãe estava velha e fatigada.

Depressa casaram, seguindo cada um o seu caminho, e a pobre mãe esquecida.

Assim decorreram alguns anos.

Um dia, as perturbações mentais de que a mãe padecia agravaram-se pelas contrariedades sofridas, pela solidão em que se encontrava, e sobretudo pelo sentimento de não haverem sido apreciados pelos filhos os esforços titânicos que a envelheceram e arruinaram.

Foi então que os filhos compreenderam o seu grande descuido, apresentando-se todos a visitar a mãe já no leito da morte, e sobre ela debruçaram-se a chorar.

Um dos filhos afagou-lhe o rosto e disse: «Mãezinha, foste tão boa para nós!»

O rosto agonizante coloriu-se levemente e, abrindo os olhos, murmurou apenas estas palavras: «Por que o não disseste mais cedo, meu filho?».

Depois suas pupilas embaciaram-se, e ela morreu, deixando os filhos a soluçar de arrependimento.

O seu caixão desaparecia sob uma montanha de flores, e o funeral que os filhos determinaram atingiu uma importância avultada… Não é deste modo que o amor actua.

O amor, digno desse nome, semeia flores, sim, mas ao longo do caminho dos vivos.

Pastor: Manuel Moutinho